Protestos na Ucrânia tem as primeiras cinco mortes e crise se agrava

Primeiro-ministro acusa oposição de incitar violência e a responsabiliza por mortes

O Estado de S. Paulo,

22 de janeiro de 2014 | 05h05

 

(Atualizada às 10h34) KIEV  - Ao menos cinco manifestantes morreram nesta quarta-feira, 22, nos protestos contra o governo pró-Rússia do país, as primeiras mortes desde o início dos protestos em novembro. Mais de 200 pessoas ficaram feridas. A polícia dispersou uma manifestação na Praça da Independência em Kiev e o governo do primeiro-ministro Mykola Azarov acusou a oposição de incitar a violência no pais.

Segundo a Procuradoria-Geral da Ucrânia, um homem não identificado fez uma ligação para o serviço de emergências para avisar que tinha encontrado um corpo na biblioteca da Academia Nacional das Ciências, a biblioteca do Parlamento, na rua Grushevski, junto à sede do governo e cenário dos últimos enfrentamentos. Pouco depois, por volta das 9h locais, os manifestantes levaram para a biblioteca outro homem, com ferimentos de bala na cabeça e no peito, que não resistiu e morreu.

Além disso, outro manifestante morreu ontem em consequência das graves lesões que sofreu após cair de uma altura de treze metros, segundo a imprensa local. A polícia ucraniana assegurou que não está utilizando armas de fogo nos enfrentamentos com os opositores.

Confrontos. Protegidos pelos destroços dos ônibus incendiados no primeiro dia dos distúrbios, os manifestantes lançaram pedras e coquetéis molotov contra as forças policiais, situadas a poucos metros, segundo as imagens de televisão transmitidas ao vivo do local dos enfrentamentos.

Pequenos grupos de agentes antidistúrbios avançaram várias vezes, utilizando a proteção de seus escudos, em direção às barricadas onde se encontram os manifestantes, lançaram gás lacrimogêneo e, depois, voltaram ao cordão policial.

Os policiais se limitam a manter suas posições e não investiram contra os manifestantes que, com paus e barras de ferro, batem de forma rítmica e quase ininterrupta nas carrocerias dos veículos incendiados e em outros objetos metálicos, criando um barulho ensurdecedor.

Alerta. O primeiro-ministro ucraniano, Nikolai Azarov, advertiu hoje que "o governo não permitirá nenhuma anarquia e nenhum caos no país". O dirigente, na reunião do Conselho de Ministros, pediu que cidadãos ucranianos deixem as ruas e apoiem as políticas das autoridades.

Azarov argumentou que a oposição deve decidir se apoia as ações violentas em Kiev ou não. "Se não, deve convocar os manifestantes a interromperem os enfrentamentos. Se sim, então deverá assumir as consequências", acrescentou. / AP e EFE

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