EFE/PASQUALE GIORGIO
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Protestos na Venezuela deixam mais dois mortos

As mortes ocorreram no Estado Táchira e elevam a 40 o número de vítimas

O Estado de S.Paulo

16 Maio 2017 | 00h10

CARACAS  - O dia que começou com protestos pacíficos em várias cidades da Venezuela terminou em violentos confrontos entre manifestantes antichavistas e policiais na cidade de Táchira, na fronteira com a Colômbia. A violência deixou dois mortos: Luis Alviarez, de 18 anos, e Diego Hernandez, de 33.

Alviarez morreu nesta segunda-feira "durante uma manifestação" contra o governo do presidente Nicolás Maduro na localidade de Palmira, no Estado venezuelano de Táchira, informou o Ministério Público em sua conta no Twitter, sem precisar as circunstâncias da morte.

"Lamentamos profundamente a morte de venezuelanos durante estes acontecimentos e seguimos trabalhando para fazer justiça em todos os casos", disse o Ministério Público.

William Galaviz, prefeito do município de Guasimos, onde está Palmira, revelou que o jovem foi baleado no tórax, sem dar mais detalhes.

Maduro enfrenta desde 1.º de abril uma onda de protestos que já deixou 40 mortos e centenas de feridos e detidos.

Milhares de opositores bloquearam avenidas e estradas nesta segunda-feira, o que provocou confrontos com as forças da ordem, no início da sétima semana de protestos para exigir a saída do presidente Maduro do poder.

Ainda em Táchira, um líder juvenil foi baleado na cabeça, na localidade de Colón, durante choques com militares, denunciou o parlamentar opositor Henry Ramos Allup.

Dois policiais foram baleados, um na cabeça, na cidade de Valencia, revelou no Twitter o governador do estado de Carabobo, Francisco Ameliach, que atribuiu o ataque a um franco-atirador.

Outras dez pessoas receberam impactos de balas de borracha em confrontos com a Guarda Nacional em Carabobo, Táchira e Mérida.

Ao menos 35 pessoas foram detidas nos protestos desta segunda-feira, incluindo 20 em Carabobo e seis em Nova Esparta, segundo a ONG Fórum Penal.

Após a chuva que caiu pela manhã em Caracas, os opositores mantinham o bloqueio na importante autoestrada Francisco Fajardo, no leste da capital, enquanto no oeste as forças de segurança utilizavam bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes.

Sob o nome de "grande plantão contra a ditadura", o dia protesto provocou confrontos em Caracas e nos Estados de Carabobo, Nova Esparta, Zulia, Aragua, Mérida, Lara e Táchira.

Segundo líderes opositores e a imprensa, várias pessoas foram detidas, incluindo a deputada suplente Janet Fermín, do estado de Nova Esparta.

OEA. A Organização de Estados Americanos (OEA) aprovou nesta segunda-feira uma reunião de chanceleres para 31 de maio, em Washington, para avaliar a crise política na Venezuela, onde a oposição exige nas ruas a saída do presidente Maduro.

Após adiar a definição da data na semana passada, uma maioria de 18 países fixou a reunião de ministros durante uma sessão do Conselho Permanente da OEA, da qual Caracas voltou a se ausentar.

O único voto negativo foi o da Nicarágua, enquanto outros treze países se abstiveram.

Sem a Venezuela presente, o embaixador nicaraguense, Luis Alvarado, representou a oposição à convocação, denunciando uma ação inamistosa e hostil.

Em 26 de abril, o Conselho Permanente da OEA aprovou a convocação de uma reunião de consultas em nível de chanceleres para discutir a crise política na Venezuela, expressando uma "preocupação frequente" sobre a aguda crise econômica e política e a violência desatada em mais de um mês de protestos contra Maduro.

Esta decisão levou o governo venezuelano a iniciar sua retirada da entidade continental, um processo que dura dois anos. / AFP e REUTERS

 

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