Protestos não afetaram estrangeiros no país

De acordo com relato de brasileiro que mora no Bahrein, quem corre risco durante manifestações são os naturais do país

Solly Boussidan, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

Luis Phillippe Teixeira, é engenheiro elétrico formado pela Unifei em Minas Gerais. Aos 29 anos, ele trabalha para um grupo francês no Bahrein. Presente no país durante os protestos, Teixeira divide as manifestações em três grandes fases. A primeira foi o impulso original, no qual pessoas foram voluntariamente à Praça da Pérola e a polícia as retirou de lá. "Os moradores ficaram ilhados, o trânsito ficou um caos."

A segunda fase começou após a solicitação americana para que o rei do Bahrein permitisse manifestações pacíficas. Nesta fase, segundo ele, viam-se famílias e pessoas com bandeiras do país, num clima de festa reivindicando direitos democráticos em locais amplamente divulgados e com hora marcada.

Segundo Teixeira, a situação realmente só se tornou ruim, quando o tsunami atingiu o Japão e ironicamente retirou os olhares do mundo sobre a região. "A polícia e o Exército passaram a usar táticas para desmoralizar os manifestantes", disse ele, que foi enviado ao Brasil por duas semanas nessa época. Para Teixeira, o retorno ao país foi melancólico - com jornais fechados e centenas de colegas e conhecidos xiitas de empresas locais demitidos. Ainda assim, ele disse que em momento algum se sentiu ameaçado. "Quem corria riscos eram os bareinitas. Os estrangeiros estavam isolados ou alienados da situação."

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