Javier Torres / AFP
Javier Torres / AFP

Protestos no Chile: sobe para 18 o número de mortos, incluindo criança de 4 anos

Para esta quarta, os principais sindicatos e movimentos sociais convocaram uma greve geral que ameaça aprofundar as manifestações

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2019 | 10h51
Atualizado 23 de outubro de 2019 | 11h53

SANTIAGO - O número de mortos nos protestos no Chile subiu nesta quarta-feira, 23, para 18, sendo que uma das vítimas é uma criança de 4 anos, informa o balanço mais recente do governo. Até a terça-feira, as autoridades falavam em 15 mortes, 4 por disparos das forças de segurança e as demais queimadas em incêndios.

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Uma criança e um homem morreram após um motorista embriagado avançar com seu carro contra um grupo de manifestantes. A terceira pessoa morreu depois de ser golpeada na cabeça por um policial, de acordo com família da vítima. Entre os 18 mortos, há um peruano e um equatoriano.

O novo balanço de vítimas da onda de protestos no país foi divulgado pelo subsecretário do Interior, Rodrigo Ubilla.

Greve geral

Para esta quarta, os principais sindicatos e movimentos sociais convocaram uma greve geral que ameaça aprofundar as manifestações que já duram seis dias, apesar de o presidente Sebastián Piñera ter apresentado um pedido de desculpas e anunciado medidas para tentar conter o conflito social.

"Greve! Afirmamos de maneira forte e clara: Basta de aumentos e abusos!", anunciou no Twitter a Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), o sindicato mais influente do Chile.

A paralisação foi convocada por várias organizações de trabalhadores e estudantes, que criticam a decisão de Piñera de colocar o país em estado de emergência e ordenar toque de recolher, além de recorrer aos militares para controlar as manifestações, incêndios e saques registrados em Santiago e outras cidades na mais grave onda de violência no Chile em três décadas.

"Demandamos ao governo restituir a institucionalidade democrática, que em primeiro lugar significa acabar com o estado de emergência e devolver os militares a seus quartéis", afirma um comunicado divulgado pelos movimentos sociais na terça-feira.

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Em Santiago, os sindicalistas pretendem se reunir na Praça Itália, epicentro dos protestos. Trabalhadores da área de saúde também devem se unir aos protestos, enquanto os funcionários dos portos pretendem paralisar as cidades costeiras do país.

Os sindicatos aderiram ao descontentamento social instalado no Chile, que teve como estopim o aumento - depois suspenso - de 3,75% do preço da passagem de metrô em Santiago, mas que resultou em um movimento muito maior, que apresenta outras demandas sociais: sobretudo as aposentadorias muito reduzidas do sistema privado, que permanece como herança da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto Ipsos mostra que 67% dos entrevistados "se cansaram de suas condições de vida nas áreas econômica, de saúde e aposentadoria, que consideram desiguais e injustas".

Apelo do papa

O papa Francisco expressou nesta quarta-feira sua preocupação com a situação no Chile e fez um apelo por diálogo, ao fim da audiência geral na Praça de São Pedro. 

"Espero que, uma vez encerradas as manifestações violentas, sejam feitos esforços através do diálogo para encontrar soluções à crise e enfrentar as dificuldades que a geraram, para o bem de toda a população", afirmou o pontífice aos milhares de peregrinos que acompanharam o tradicional encontro semanal.

"Estou preocupado com o que está acontecendo no Chile", completou o papa, que visitou o país em janeiro de 2018, onde enfrentou críticas e protestos/ AFP e EFE

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