Protestos no Egito ganham apoio do Oriente Médio

Enquanto manifestações voltam a ganhar força nas ruas de cidades do Egito neste sábado, vários líderes árabes e muçulmanos concedem apoio à população do país africano. O líder da poderosa Irmandade Muçulmana, Hammam Saeed, que faz oposição ao governo da Jordânia, alertou hoje que os protestos vão se espalhar pelo Oriente Médio e pelo mundo árabe e destituirão seus "líderes tiranos aliados dos Estados Unidos".

AE, Agência Estado

29 de janeiro de 2011 | 13h55

Saeed disse que os árabes estão cada vez mais insatisfeitos com a dominação norte-americana sobre seu petróleo, com a ocupação militar do Iraque e do Afeganistão, além do suporte norte-americano aos regimes totalitários da região.

O líder muçulmano discursou hoje junto a cem opositores em frente à embaixada do Egito na capital jordaniana, Amã. Ele pediu a renúncia do presidente Hosni Mubarak. Saeed, contudo, não mencionou diretamente o rei Abdullah II, um aliado importante dos EUA no Oriente Médio e que nos últimos dias prometeu reformas, numa aparente tentativa de conter protestos dentro de casa. Como outros países vizinhos, a Jordânia enfrenta problemas econômicos e restringe a liberdade política.

No Iêmen, uma manifestação contra o governo local e de apoio à população do Egito acabou se transformando num protesto violento ao confrontar forças da polícia na capital, San''a.

Pelo menos nove manifestantes foram atacados pelos policiais, quando estes tentavam bloquear uma centena de pessoas que marchavam para a embaixada do Egito. Não há informação sobre o estado dos feridos. Testemunhas disseram que o ativista pelos direitos humanos Abdul Hadi al-Azazi foi preso.

No país, manifestações de repúdio ao presidente Ali Abdullah Saleh se tornaram comuns. "Não vamos parar de protestar, mesmo se atacados ou feridos. Exigimos a renúncia do presidente Saleh, ou seu destino será o mesmo do presidente da Tunísia e, futuramente, o mesmo de Mubarak", afirmou Salah Mohammed Al-Maktari, um dos manifestantes. Entre eles havia jornalistas, membros do parlamento e ativistas políticos.

Na Arábia Saudita, o rei Abdullah bin Abdulaziz al-Saud criticou os manifestantes egípcios e apoiou o presidente Mubarak. Por meio de comunicado divulgado pela agência de notícias estatal, Abdullah disse que a população do país vizinho está sendo insuflada por "infiltrados que em nome da liberdade de expressão querem desestabilizar a segurança do país."

Já no Irã autoridades continuaram a manifestar apoio à população do Egito. O governo xiita iraniano tem um longo histórico de conflitos com seus vizinhos árabes, em particular com o presidente Mubarak. Um porta-voz do Ministério do Exterior disse neste sábado que Teerã espera que o governo do Egito "responda às justas exigências dos manifestantes e se abstenha de exercer a violência".

Em Israel, que tem no Egito o seu aliado mais importante no mundo árabe, a ordem é não falar sobre o assunto. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, ordenou que os porta-vozes do governo se silenciem. Autoridades que conversaram com agências internacionais na condição de anonimato se disseram preocupadas com a possibilidade de a tensão na região ameaçar os laços com o Egito e se espalhar para a Autoridade Palestina.

O conflito no Egito domina a mídia israelense. Redes de televisão divulgam informações de hora em hora e a Rádio Israel faz uma cobertura intensa dos acontecimentos sob a chamada "Fogo no Nilo". No jornal Haaretz, o colunista Aluf Benn especulou que o poder em queda do presidente Mubarak deixa Israel com poucos amigos no Oriente Médio. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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