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Protestos no Gabão por eleições supostamente fraudadas deixam 3 mortos e mais de 1 mil presos

Manifestantes foram dispersados com gás lacrimogêneo e canhões de água, e houve saques de comércios e incêndios em edifícios oficiais

O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2016 | 11h48

NAIRÓBI - O ministro do Interior do Gabão, Pacôme Moubelet-Boubeya, anunciou que pelo menos três pessoas morreram, e mais de 1 mil foram detidas desde que começaram, na quarta-feira, os protestos pela suposta fraude na apuração das eleições vencidas pelo atual presidente, Ali Bongo, por uma estreita margem. 

Em comunicado divulgado no fim da noite de quinta-feira, Moubelet-Boubeya confirmou a morte de pelo menos três pessoas durante os confrontos entre a polícia e simpatizantes do candidato opositor, Jean Ping, mas negou as denúncias de abusos e excesso de força.

"As forças de segurança não se excederam e só se dedicam a manter a ordem", afirmou o ministro, que também desmentiu que o Exército tenha bombardeado a sede da coalizão opositora, como havia denunciado Ping.

Bongo ganhou as eleições de sábado com 49,8% dos votos e Ping obteve 48,23% após uma apuração que durou mais de quatro dias, e na qual houve várias irregularidades que provocaram uma onda de protestos.

Os manifestantes, que em um primeiro momento se dirigiam à sede da Comissão Eleitoral Nacional (CENAP), foram dispersados com gás lacrimogêneo e canhões de água. Os distúrbios culminaram em saques de comércios e incêndios em vários edifícios oficiais.

O presidente do Gabão defendeu a legitimidade de sua reeleição apesar das críticas recebidas das Nações Unidas, da União Europeia e dos Estados Unidos, que pediram a publicação dos resultados "por colégio eleitoral" para evitar suspeitas.

"A democracia é difícil de encaixar com o ataque ao Parlamento e à televisão nacional", sentenciou o líder em discurso à nação, ao deslegitimar os protestos e se mostrar disposto a utilizar "todas as medidas necessárias" para garantir a segurança no país.

Além de reprimir os manifestantes pela força, a administração de Bongo tentou conter a crescente agitação social interrompendo as conexões telefônicas e internet.

Crise. O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu na quinta-feira para abordar a crise no Gabão. O enviado da ONU para a África Central, Abdoulaye Bathily, apresentou um relatório sobre a situação durante a reunião a portas fechadas do Conselho, convocada pela França, disse o embaixador do país no organismo, François Delattre.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, havia pedido mais cedo a liberação imediata dos presos nos casos de violência no Gabão e pediu uma "verificação transparente" dos resultados das eleições de sábado. Ele também chamou as autoridades competentes para "solucionarem rapidamente, de maneira transparente e justa, todas as demandas derivadas da eleição".

Além disso, disse que as forças de segurança empregaram uma violência desproporcional e pediu que "atuassem com a máxima moderação e respeitassem os padrões internacionais de direitos humanos". "Peço às autoridades que liberem os presos políticos imediata e incondicionalmente", disse Ban em um comunicado de seu porta-voz.

O secretário-geral da ONU disse que estava "profundamente preocupado e triste" pela crise no Gabão "em particular pelos ataques incendiários e pela resposta desproporcionada das agências de segurança, que conduziram a perdas de vida e de propriedades". / AFP e EFE

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