Protestos no Iêmen deixam mais 1 morto

Confrontos entre opositores e partidários do presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, deixaram ontem um morto e cinco feridos na capital, Sanaa. De acordo com testemunhas, o manifestante foi alvejado no pescoço e depois levado a um hospital perto da Universidade Sanaa, mas não resistiu ao ferimento.

, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

A ação ocorreu um dia depois de violentos confrontos entre as forças de segurança do país e opositores, que pedem a renúncia de Saleh - há 32 anos no poder -, terem deixado cinco mortos e dezenas de feridos.

Saleh culpa uma "agenda estrangeira" e uma "conspiração contra a segurança e a estabilidade do Iêmen" pelos protestos, que também são contra a pobreza, o desemprego e a corrupção no país. "Aqueles que querem o poder devem ir conosco às urnas", disse o presidente.

Como uma concessão aos manifestantes, Saleh prometeu que deixará o cargo quando seu mandato terminar, em 2013, e disse que não entregará o poder a seu filho. Uma coalizão de partidos de oposição concordou em iniciar um diálogo com o governo. Na quarta-feira, segundo a imprensa estatal, o presidente se reuniu com a cúpula militar para discutir a crise. No entanto, os protestos continuam.

Ontem, cerca de mil opositores saíram às ruas da capital gritando "O povo quer a queda do regime!".

Preocupação. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse na sexta-feira que está "profundamente preocupado" com os protestos no Iêmen, no Bahrein e na Líbia. "Os EUA condenam o uso de violência pelo governo contra manifestantes pacíficos nesses países", afirmou Obama em comunicado oficial.

Saleh é um importante aliado dos EUA no combate à insurgência do grupo terrorista Al-Qaeda, liderado por Osama bin Laden. O presidente iemenita também enfrenta uma revolta separatista no sul e uma rebelião xiita no norte do país, um dos mais pobres do mundo árabe.

De acordo com especialistas, tentativas de tirar Saleh do poder à força poderiam ser mais violentas do que as revoltas populares na Tunísia e no Egito porque o Iêmen tem uma série de conflitos regionais e tribais. / REUTERS e AFP

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