AP Photo/Gregorio Borgia
AP Photo/Gregorio Borgia

Onda de protestos cresce e 9 pessoas morrem em madrugada violenta no Irã

Autoridades informam que mais de mil pessoas foram presas e garantem que muitos podem ser condenados à morte por saírem às ruas contra o regime e a crise econômica; em seis dias de manifestações, número de mortos chega a 21

O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2018 | 09h15
Atualizado 02 Janeiro 2018 | 22h33

TEERÃ - Autoridades iranianas informaram que nove pessoas morreram na madrugada de ontem em protestos na Província de Isfahan, a cerca de 350 quilômetros de Teerã, capital do Irã. Com isso, o número de mortes durante as manifestações contra o regime autoritário e a crise econômica, que começaram na quinta-feira, chegou a 21.

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Segundo relatos oficiais, seis manifestantes morreram em confrontos com a polícia após a tentativa de invasão de uma delegacia da cidade de Qahderijan. Em Khomeinyshahr, um menino de 11 anos morreu após disparos de manifestantes. Além deles, um membro da Guarda Revolucionária, força de elite iraniana, foi morto em Kahriz Sang. A outra vítima foi um policial, em Najafabad.

Autoridades ameaçaram ontem os manifestantes, dizendo que podem ser condenados à morte. “A cada dia que passa, aumentará seu crime e o castigo. Nós já não os consideramos como manifestantes, mas como pessoas que querem prejudicar o regime”, disse o presidente do Tribunal Revolucionário de Teerã, Musa Ghazanfar-Abadi.

Segundo ele, quem for preso será declarado culpado por diferentes delitos, entre os quais “atentado contra a segurança nacional” e “inimizade com Deus”, ambos punidos com a pena de morte.

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A TV estatal informou ontem que cerca de 100 pessoas foram detidas durante a madrugada noite na Província de Isfahan. Em todo o país, mais de 1.000 pessoas já foram presas desde o início dos protestos, a maioria delas em Teerã.

“Pelo menos 200 pessoas foram detidas no sábado; 150, no domingo; e 100, na segunda-feira”, declarou o vice-prefeito de Teerã, Ali-Asghar Nasserbakht, que declarou ainda não ter pedido apoio à Guarda Revolucionária, encarregada da segurança da capital.

Interferência

Ainda ontem, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, rompeu seu silêncio sobre a onda de protestos e afirmou que os distúrbios são orquestrados pelos adversários do país, especialmente EUA e Israel.

Ele afirmou que, nos acontecimentos dos últimos dias, “os inimigos se uniram e estão usando de todos os seus meios, seu dinheiro, suas armas, suas políticas e seus serviços de segurança para criar problemas para o regime islâmico.”

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“Eles esperam apenas uma chance para se infiltrar e atacar o povo iraniano”, declarou Khamenei. “O que pode impedir o inimigo de agir é o espírito de coragem, de sacrifício e a fé do povo iraniano, dos quais vocês são testemunha”, acrescentou o aiatolá.

Reação

Os EUA anunciaram ontem que pedirão uma sessão de urgência do Conselho de Segurança da ONU para discutir uma resposta para a situação no Irã. “As liberdades que estão consagradas na Carta das Nações Unidas estão sob ataque no Irã”, afirmou a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

De acordo com ela, a ideia é que também haja outra reunião de urgência no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, para analisar o mesmo tema. Haley, porém, não estabeleceu uma data para as reuniões. “De uma forma ou de outra, teremos uma reunião sobre o que está acontecendo no Irã com os protestos e a luta em favor da liberdade”, afirmou. / AFP, EFE e REUTERS

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