AP Photo / Hassan Ammar
AP Photo / Hassan Ammar

Protestos no Líbano aumentam após ameaça de renúncia do primeiro-ministro

Manifestantes protestam pela crise do lixo e pelos problemas do sistema político do país, visto como corrupto e disfuncional

O Estado de S. Paulo

23 de agosto de 2015 | 16h52

BEIRUTE - O primeiro ministro do Líbano, Tammam Salam, ameaçou neste domingo, 23, renunciar ao seu cargo, alertando para os partidos de oposição que o Estado enfrentou uma situação de colapso em razão da paralisia do governo e do fracasso em resolver a crise do lixo doméstico no país, que tem se acumulado nas ruas de Beirute há semanas.

Os protestos ocorrem pelo segundo dia consecutivo e procuram derrubar o que os manifestantes vêem como um sistema político corrupto e disfuncional, que não tem gabinete ou parlamento.

“Somos governados por perdedores corruptos! Todos eles - senhores da guerra, legisladores e ministros - estão trabalhando para seus próprios interesses e não para os das pessoas”, disse Nada Qadoura, aposentada que compareceu aos protestos acompanhada por dois amigos. “A vontade do povo eventualmente irá prevalecer, não importa quanto tempo leve”.

Os manifestantes foram hoje às ruas horas depois da ameaça de renúncia de Salam e tentaram ultrapassar uma barreira de arame farpado que protege a sede do governo. Segundo redes de televisão locais, os protestos reuniram cerca de 20 mil pessoas.

Para tentar conter a multidão, a polícia libanesa utilizou jatos de água, gás lacrimogêneo e cassetetes contra os manifestantes, que atiravam pedras e garrafas de água nos policiais. Duas pessoas ficaram feridas.

A decisão do primeiro-ministro seria uma resposta às violentas manifestações de sábado, que deixaram ao menos 100 feridos.

O governo de Salam tem sofrido uma paralisia quase completa desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro no ano passado, enquanto uma guerra ainda mais ampla no Oriente Médio, incluindo os conflitos na vizinha Síria, ressaltam as próprias divisões políticas e sectárias do Líbano.

“Advirto que iremos em direção ao colapso se as coisas continuarem assim”, disse Salam em um discurso televisionado. Ele descreveu como excessivo o uso da força contra os manifestantes nos protestos de hoje e disse que os responsáveis seriam responsabilizados por suas ações.

Se a renúncia de Salam se concretizar, dará início a uma crise constitucional. No Líbano, o presidente é quem indica o primeiro-ministro, mas o cargo está vazio desde o ano passado.

Salam disse que se a reunião do gabinete, marcada para quinta-feira, não for produtiva e não se chegar a uma decisão sobre uma nova empresa para recolher o lixo em Beirute, “não haverá necessidade nenhuma de governo depois disso”.

Ele também disse que o país está altamente endividado e que não seria possível pagar os salários no mês de setembro. Segundo uma fonte ligada ao governo, a dívida do Líbano corresponde a aproximadamente 143% do seu Produto Interno Bruto. O país ainda tenta se reconstruir da guerra ocorrida entre 1975 e 1990, e lida com os abalos constantes dos conflitos na Síria, incluindo a violência política e uma grande crise de refugiados. /ASSOCIATED PRESS e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
protestosLíbanorenúncia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.