Protestos no Oriente Médio contra ação dos EUA no Iraque

Multidões furiosas se reuniram nesta sexta-feira em mesquitas, do Cairo até Teerã, para denunciar os cercos militares estabelecidos por tropas americanas em cidades iraquianas como Faluja, elogiar a resistência contra o ocupante e responsabilizar Washingtn por aprofundar a crise em uma região já vitimada pelo conflito entre israelenses e palestinos. Na mesquita cairota de al-Azhar, o mais famoso centro de estudos dos muçulmanos sunitas, cerca de 500 homens rodeados por número semelhante de policiais antimotins protestaram logo após as orações de sexta-feira, qualificando o presidente George W. Bush de "inimigo de Deus" e exigindo que o governo expulse os embaixadores dos EUA e de Israel. Imagens na televisão da ofensiva militar dos EUA no Iraque, especialmente em Faluja, e da crescente resistência enfrentada pelo invasor na nação árabe estão sendo observadas nos lares de milhões de árabes, alimentando o descontentamento em uma parte do mundo que considera os EUA como o principal aliado de Israel na luta contra os palestinos. "Os EUA estão atuando no Iraque da mesma forma que Israel atua nos territórios ocupados. É um exército em guerra contra civis", disse à Associated Press o analista político saudita Dawood al-Shirian. No Irã, o ex-presidente Hashemi Rafsanjani, que mantém forte influência política, disse aos fiéis na mesquita da universidade de Teerã que o Iraque "se transformou, agora, no paraíso dos terroristas do mundo todo", e que os extremistas passaram a considerar esse país "o melhor lugar para viver". Em uma mesquita ao sul de Beirute, o principal clérigo xiita do Líbano, aiatolá xeque Mohammed Hussein Fadlalla, disse que os ataques israelenses contra os palestinos nos territórios ocupados "estão se repetindo através das brutais matanças perpetradas pelos americanos contra o povo iraquiano". Por sua vez, o ministro palestino Saeb Erekat disse que o Iraque e o Oriente Médio em seu conjunto são agora menos seguros do que há um ano, quando forças lideradas pelos EUA derrubaram o regime de Saddam Hussein. "E, se isto continuar, o resultado será mais anarquia, caos e extremismo", afirmou Erekat em uma entrevista por telefone falando de sua residência na Cisjordânia.

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