Protestos no Paquistão contra possível ataque ao Iraque

Queimando cartazes com a foto do presidente dos EUA e denunciando os líderes paquistanês e americano, milhares de pessoas participaram nesta sexta-feira de marchas em várias cidades da nação islâmica contra um possível ataque dos EUA ao Iraque. Os protestos foram convocados por líderes islâmicos fundamentalistas que ganharam um apoio sem precedentes nas recentes eleições no Paquistão. Não há relatos de violência e o número de manifestantes não foi especialmente alto. Tropas especiais foram colocadas diante da embaixada dos EUA na capital, Islamabad, e em outros pontos sensíveis do país. Cerca de 1.500 pessoas na cidade central de Multan queimaram uma foto do presidetne George W. Bush e criticaram o presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, por apoiar a guerra dos EUA contra o terror no vizinho Afeganistão. Pelo menos 7.000 pessoas juntaram-se do lado de fora da mesquita de Madni Majid - a maior a cidade de Peshawar, no oeste do Paquistão - e entoaram "Abaixo a América" e "Longa Vida para Saddam Hussein". Em Islamabad, cerca de 400 pessoas se juntaram do lado de fora da Mesquita Vermelha, local de manifestações pró-Taleban no passado. "Os EUA iniciaram uma guerra contra os muçulmanos", disse o clérigo Samiul Haq. "Esta é uma guerra entre os amigos de Alá e os amigos de Satã". Dezenas de policiais postados nas imediações portavam escudos e bastões, mas os manifestantes não se exaltaram.Manifestações envolvendo cerca de 1.000 pessoas também ocorreram no porto de Karachi, no sul do país, em Lahore, no leste, e na cidade de Quetta, no sudoeste. Os organizadores dos protestos pediram que os comerciantes fechassem sua lojas em sinal de apoio, mas muitas delas permaneceram abertas. Em Lahore, muitos lojistas disseram ter fechado suas portas por temor à violência.Os simpatizantes do movimento disseram que as marchas de hoje são apenas uma pequena amostra da revolta que um ataque ao regime de Saddam Hussein poderá provocar no Paquistão, um país conservador muçulmano de 145 milhões de habitantes que se tornou agora um crucial aliado dos EUA.

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