Protestos no Paquistão deixam quatro mortos

Pelo menos quatro pessoas morreram nesta sexta-feira na cidade paquistanesa de Karachi, onde se realizaram as mais violentas manifestações de protesto contra o governo do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, que prometeu apoio aos EUA em suas ações para capturar o terrorista saudita Osama bin Laden e nas ameaças de ataque ao regime Taleban, que controla o Afeganistão. Choques entre manifestantes e policiais foram registrados em vários pontos do país durante o dia de protesto convocado para para esta sexta por cerca de 30 grupos islâmicos. Os principais alvos dos manifestantes eram bares que vendem bebidas alcoólicas, cujo consumo é proibido pela religião muçulmana - alguns dos quais foram apedrejados e incendiados. Em Karachi, dois manifestantes foram mortos a tiros por policiais que reprimiam o assédio a um desses bares. Outro manifestante morreu ao ser baleado por um desconhecido numa estrada que liga Karachi a Quaidabad.O quarto morto, um comerciante, foi violentamente espancado depois de abrir seu negócio, desafiando a greve geral convocada pelos grupos islâmicos. As forças de segurança utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar as manifestações mais violentas. Os manifestantes, na maioria estudantes de escolas religiosas, puseram fogo em pneus e cestos de lixo e arremessaram pedras contra automóveis e ônibus. Cartazes com a imagem do presidente dos EUA, George W. Bush, e bandeiras americanas foram queimados. As mortes desta sexta foram as primeiras registradas no Paquistão desde o início da onda de protestos aberta com a declaração de apoio de Musharraf à retaliação dos EUA aos atentados do dia 11 contra as torres do World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, em Washington.Os ativistas islâmicos prometem derrubar o governo de Musharraf, caso o Paquistão dê apoio a um provável ataque militar dos EUA ao Afeganistão.

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