Protestos no Peru deixam morto e mais de 90 feridos

Quatro dias de protestos contra a privatização de duas companhias geradoras de eletricidade deixaram em Arequipa, segunda mais importante cidade do Peru, um morto, 95 feridos e danos generalizados. Enquanto isso, na cidade de Tacna, perto da fronteira com o Chile, grupos de manifestantes saquearam, nesta segunda-feira, pequenos mercados e bloquearam a Rodovia Pan-Americana com pedras e pneus, impedindo a passagem de veículos para o Chile, em protesto contra o leilão das empresas.Héctor García, do departamento de segurança do município de Tacna, disse por telefone que vidraças dos escritórios da empresa espanhola Telefónica e várias cabines de telefone foram destruídas. Os manifestantes também teriam apedrejado a fachada do Palácio da Justiça, da Câmara e de outros estabelecimentos.Estudante mortoSegundo García, a polícia tentava dispersar a multidão com gás lacrimogêneo. As empresas geradoras de energia Egasa, de Arequipa, e Egesur, de Tacna, ambas no sudeste peruano, foram leiloadas na sexta-feira em Lima, apesar de um juiz ter suspendido o leilão. Os distúrbios provocaram a morte de um estudante.Depois de permanecer três dias em coma, morreu nesta segunda-feira pela manhã Edgard Pinto Quintanilla, atingido na cabeça por uma granada de gás lacrimogêneo lançada pela polícia. Pinto Quintanilla morreu às 6 horas da manhã, no hospital Honorio Delgado de Arequipa, em consequência dos ferimentos que sofreu na sexta-feira.Estado de emergênciaNesta segunda-feira, tropas do Exército patrulhavam Arequipa, 750 quilômetros a sudeste de Lima. Dois mercados centrais reabriram parcialmente nesta segunda-feira, enquanto o transporte público permanecia paralisado. Frente aos protestos, que começaram em Arequipa depois do leilão das empresas na última sexta-feira, o governo do presidente Alejandro Toledo decretou no domingo estado de emergência e toque de recolher das 10 da noite às 5 da manhã em Arequipa e ordenou que o Exército controlasse a cidade.É a primeira vez, em seus 11 meses de governo, que Toledo impõe um estado de emergência. Com a medida, são suspensos os direitos de reunião, de livre trânsito e os cidadãos podem ser detidos sem um mandato judicial. O líder da Frente Ampla Civil de Arequipa, Luis Saraya, convocou uma manifestação de rechaço às medidas ditadas por Toledo.BlindadosEm Lima, veículos blindados da polícia patrulhavam a Rodovia Pan-Americana, enquanto grupos de policiais protegiam as pontes. Segundo médicos, ainda estão nos hospitais de Arequipa 93 feridos, alguns em estado grave.O presidente Toledo estimou em US$ 100 milhões os danos naquela cidade. Durante a campanha eleitoral, Toledo havia assinado um documento em Arequipa, comprometendo-se a não privatizar a Egasa e a Egesur, caso chegasse à Presidência. O prefeito de Arequipa, Juan Manuel Guillén, disse que pedirá à Justiça que anule a privatização.

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