Protestos no Quênia deixam pelo menos 8 mortos nesta sexta

Mais de 600 pessoas já morreram desde o início dos protestos contra a reeleição do presidente Mwai Kibaki

Reuters,

18 de janeiro de 2008 | 13h30

Pelo menos oito pessoas morreram nesta sexta-feira, 18, durante protestos contra a reeleição do presidente Mwai Kibaki, no Quênia, segundo autoridades e testemunhas.  Jornalistas da Reuters em Kibera, região de forte oposição, disseram ter visto quatro corpos após os enfrentamentos entre protestantes e polícia. Autoridades em Narok, do sudoeste do Quênia, afirmaram que quatro pessoas morreram em confrontos por causa da eleição. Mais de 600 pessoas já morreram desde o início dos protestos, os mais sangrentos desde uma tentativa de golpe em 1982. A oposição do presidente convocou três dias de manifestações e, em Nairóbi, houve confronto com a polícia. Os manifestantes desafiaram uma proibição de aglomerações públicas imposta em todo o país pela polícia, que considera os protestos "inapropriados".  Os protestos começaram na quarta-feira, 16, mas nesta sexta, líderes da oposição anunciaram que vão continuar boicotando o governo reeleito. Salim Lone, porta-voz da oposição, afirmou que a população será convocada para boicotar "empresas de pessoas próximas a Kibaki" e "organizar greves nas indústrias", mas não deu detalhes sobre as operações. A violência no Quênia, um dos países africanos mais estáveis e em crescimento, explodiu depois das eleições do dia 27 de dezembro. O pleito foi um dos mais disputados da história do país. Odinga, candidato da oposição, afirma que Kibaki forjou alguns votos e observadores internacionais também questionam a reeleição do presidente queniano. Lone, porta-voz da oposição, também afirmou que Raila Odinga - líder da oposição contra Kibaki - está aberto ao diálogo. "Estamos dispostos a negociar. Queremos paz no país", afirmou, completando que a população do país está sofrendo com os protestos.

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