ASHRAF SHAZLY / AFP
ASHRAF SHAZLY / AFP

Protestos no Sudão deixam ao menos seis mortos

Atiradores dispararam contra manifestantes que querem um civil no comando do governo após a queda do ditador Omar al-Bashir

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2019 | 16h58

CARTUM - Cinco manifestantes e um soldado morreram na noite de segunda-feira em Cartum, horas depois de uma reunião entre representantes do movimento de protesto no Sudão e os generais no poder, em que foram feitos progressos para avançar em direção a um governo civil. 

Os dois lados planejavam continuar nesta terça-feira com as discussões cruciais para o país, pouco mais de um mês depois da queda, sob pressão popular, do presidente Omar Al Bashir, que esteve no poder por três décadas. As negociações devem continuar na quarta. 

Na manhã desta terça-feira, a situação estava tranquila na capital sudanesa, segundo a agência France-Presse

O Conselho Militar e fontes médicas informaram que durante a noite anterior "elementos não identificados que queriam sabotar as negociações abriram fogo" em frente à sede do Exército sudanês.

Os sangrentos atos de violência ocorreram após o anúncio do progressos nas negociações para um governo civil no Sudão, que deve substituir o Conselho Militar no poder após a derrubada de Bashir em 11 de abril

As negociações são realizadas em um clima de tensão máxima, já que no domingo à noite os manifestantes bloquearam uma grande avenida da capital, a Rua do Nilo, depois de acusarem os militares de terem fechado uma ponte pela qual pretendiam chegar até a sede do governo.

A aliança de oposição do Sudão culpou os militares no poder por renovar a violência nas ruas complicando os esforços para negociar uma transição de poder para os civis.  Já segundo os militares, "sabotadores" infelizes com o acordo de transição estabelecido foram os responsáveis. 

As mortes de segunda-feira foram as primeiras nos protestos que já duram semanas após a queda de Bashir. 

Por meio de sua embaixada em Cartum, os EUA apoiaram a aliança de oposição que culpou a junta militar pelo caos ao tentar remover bloqueio de vias colocados por manifestantes. 

Ferimentos

Um hospital na capital disse ter recebido mais de 60 feridos, assim como 3 mortos. Alguns chegaram com ferimentos de bala no ombro, peito e outras partes do corpo, afirmou o diretor executivo do Moalem Medical City Hospital, Amar Abu Bakr.

"Há ainda um número de feridos por objetos cortantes e espancados por varas", disse Bakr. 

Um dos feridos disse que o atirador estava a 20 metros quando disparou contra ele. "Ele atirou no meu peito, ele queria me matar, não me assustar ou aterrorizar", disse Raed Mubarak. / AFP e REUTERS

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