Protestos param principais cidades de Camarões

Protestos contra o governo paralisaramna quarta-feira a capital de Camarões, Iaundê, e a maior cidadeportuária do país, Douala. Os manifestantes se queixam dosaumentos dos combustíveis e alimentos e da tentativa dopresidente Paul Biya de permanecer no poder, que ele já ocupahá 25 anos. Jornalistas locais disseram que um manifestante foi mortopor policiais armados na localidade de Buea (sudoeste). Ostumultos --os piores em 15 anos no país petroleiro docentro-oeste da África-- já mataram sete pessoas desde o fim desemana em Douala, importante entreposto comercial africano. Em sua primeira reação pública aos distúrbios, Biya foi àTV pública para acusar adversários de estimular protestos com ameta de derrubá-lo. "O objetivo é alcançar por meio da violência o que eles nãoconseguiram obter por meio das urnas", disse o presidente,vestindo terno e com a expressão carregada. Segundo Biya, o governo vai usar "todos os meios legais"para garantir o Estado de Direito. Ele disse que a violência destruiu prédios públicos, lojase empresas, além de causar várias mortes --que ele nãoquantificou. "Delinquentes motivados pela perspectiva desaques" participaram dos protestos, segundo o presidente. Depois de afetar várias cidades do oeste camaronês nosúltimos quatro dias, os protestos chegaram na quarta-feira aIaundê. Tropas de choque usaram gás lacrimogêneo em ambas ascidades, às vezes lançando-o de helicópteros. A rádio pública pediu calma, dizendo que o governo esindicalistas chegaram a um acordo para reduzir os preços doscombustíveis. Mas a pequena margem da redução irritou aindamais os manifestantes. Em Iaundê, jovens atiravam pedras e bloqueavam ruas compneus e paus em chamas. Lojas e empresas fecharam, e paiscorreram às escolas para pegar os seus filhos. Alguns veículosforam destruídos e queimados. Vários manifestantes entoavam palavras de ordem contraBiya, que anunciou em janeiro a intenção de mudar aConstituição para prolongar seu mandato. "Biya foi longe demais, deve ir embora", gritava ummanifestante em Iaundê. "Estamos cansados", bradavam outros. Em Douala, capital comercial do país, alguns manifestantescaíram num rio quando tentavam fugir do gás lacrimogêneolançado de helicóptero. Testemunhas disseram que dezenas de pessoas foram presas elevadas em caminhões, e que alguns manifestantes eram agredidoscom coronhas dos rifles. Também houve protestos contra o governo da cidade deBamenda (noroeste).(Reportagem adicional de Talla Ruben em Douala)

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