Jean Marc Herve Abelard/ EFE
Jean Marc Herve Abelard/ EFE

Protestos pela queda do presidente do Haiti deixam dois mortos e 14 feridos

Atos contra inflação e corrupção foram organizados por milhares de manifestantes no aniversário do fim da ditadura Duvalier

Redação, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2019 | 04h36

PORTO PRÍNCIPE - Dois manifestantes morreram e 14 policiais ficaram feridos nos protestos realizados na capital Porto Príncipe e em outras cidades do Haiti nesta quinta-feira, 7. Os atos, que reuniram milhares de pessoas, protestaram contra a inflação no país e exigiram a saída do presidente Jovenel Moïse.

"Dois anos atrás Jovenel prometeu encher nossos pratos, e eu não como mentiras", disse o manifestante Josué Louis-Jeune, batendo em uma placa de metal com uma colher. "Este presidente é apenas um fanfarrão, ele deve sair", acrescentou.

Os conflitos mais violentos entre opositores mais radicais e policiais foram registrados em Porto Príncipe. Os agentes usaram gás lacrimogêneo e dispararam munições no ar para dispersar a multidão.

Um grupo de manifestantes queimou vários veículos e tentou, em vão, incendiar um posto de gasolina. Além dos dois manifestantes mortos, as autoridades confirmaram que o dia de protestos deixou 14 policiais feridos, principalmente por conta de pedras arremessadas.

Enfraquecida pela inflação de mais de 15% em dois anos, a economia do Haiti atravessa uma grave crise por conta da rápida desvalorização da moeda nacional, o Gourde, em relação ao Dólar, o que aumenta os preços dos produtos básicos.

"Não podemos suportar esta crise econômica: não temos eletricidade nem segurança, e agora os fornecedores de farinha e pão decidiram fechar suas portas devido à inflação", disse Ulrich Louima, morador de Porto Príncipe.

 Os atos foram organizados no aniversário do fim da ditadura Duvalier, após uma revolta popular em 7 de fevereiro de 1986. As manifestações pediram o fortalecimento de instituições estatais, contaminadas pela corrupção.

Na semana passada, o Superior Tribunal de Contas emitiu um relatório de auditoria sobre supostos desvios de recursos emprestados pela Venezuela ao Haiti para financiar seu desenvolvimento econômico e social.

Cerca de 15 ex-ministros e altos funcionários foram identificados no documento, bem como uma empresa dirigida na época pelo presidente em exercício, identificada como suposta beneficiária de fundos para um projeto de construção de rodovias sem assinar nenhum contrato. / AFP

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