Protestos pró e contra o governo levam tensão à capital do Iêmen

Ativistas que pedem renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh prometeram a maior manifestação contra seu regime.

BBC Brasil, BBC

25 de março de 2011 | 09h57

Iemenitas vêm protestando contra regime de 32 anos de Saleh

Dezenas de milhares de pessoas participam nesta sexta-feira de protestos rivais na capital do Iêmen, Sanaa, uma semana após 50 pessoas terem sido mortas em uma manifestação.

Os manifestantes que pedem a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh - no poder desde 1978 - afirmam que o protesto de hoje será o maior desde fevereiro, quando começaram as manifestações no Iêmen e em outros países árabes.

Em um comício realizado para um grupo de correligionários, Ali Abdullah Saleh pediu que seus apoiadores permaneçam firmes.

Ele negou que forças de seu governo tenham desempanhado qualquer papel no assassinato de manifestantes na semana passada.

Tanto o governo como a oposição criaram postos de controle em Sanaa, e as ruas estão cheias de homens armados.

Saleh disse ainda à multidão de simpatizantes que está pronto para entregar o poder, mas apenas se for para deixá-lo em "mãos seguras".

Soldados dispararam para o ar para impedir que simpatizantes do presidente avançassem contra o protesto de manifestantes contrários ao governo.

Medo

Há temores de que possam surgir novos confrontos violentos entre manifestantes e forças policiais.

Alguns representantes do governo Saleh já passaram para o lado da oposição.

Uma das mais notórias baixas sofridas pelo regime iemenita foi a do general Ali Mohsen al-Ahmar - que era um aliado próximo de Saleh.

O general aderiu aos manifestantes antigoverno, aumentando ainda mais a pressão sobre o regime. Outros comandantes militares também seguiram os passos do general.

Funcionários do corpo diplomático de diferentes países vêm lotando aviões que estão saindodo Iêmen, devido a receios de que o país possa viver um banho de sangue.

Nações ocidentais temem que a Al Qaeda, que conta com uma célula no Iêmen, possa explorar um eventual vácuo de poder no país.

Além da ameaça de militantes extremistas, o Iêmen também enfrenta um movimento separatista no sul do país e conflitos com tribos xiitas ao norte.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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