Protestos reúnem imigrantes birmaneses na Malásia

Manifestantes pedem intervenção dos governos da China e da Rússia para solucionar crise em Mianmá

Agências internacionais,

02 de outubro de 2007 | 13h21

Cerca de 1.500 imigrantes birmaneses protestaram nesta segunda-feira, 2, em frente à Embaixada de Mianmá (antiga Birmânia), na Malásia, contra a violência usada na repressão das manifestações pela democracia no país. Os protestos seguiram ainda para os prédios em que ficam as chancelarias da China e da Rússia, onde os manifestantes exigiram uma postura firme dos países em relação à junta militar que governa o país.   Veja também: Após encontros, enviado da ONU deixa Mianmá Enviado da ONU se reúne com líder do governo Entenda a crise e o protesto dos monges  Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges Os governos de Pequim e Moscou se mostraram reticentes em tomar medidas drásticas contra o governo de Mianmá, já que ambos acreditam que a intervenção não ajudaria a melhorar a situação e consideram que o conflito não coloca em risco a segurança da região. Os imigrantes, que representavam algumas das mais de cem etnias de Mianmá, mostraram seu apoio às mobilizações antigovernamentais no país. O grupo afirma que as mortes causadas pelo Exército na repressão chegam a 200, e não se restringem apenas às dez confirmadas pelo regime militar birmanês. Os manifestantes levavam cartazes com os dizeres "Parem o massacre" e "Não queremos a junta perversa" e vestiam camisetas vermelhas, simbolizando o derramamento de sangue no país. Segundo o membro do Comitê para Mianmá no Parlamento malaio, Zaid Ibrahim, a Malásia e os demais países do Sudeste Asiático deveriam usar todos os recursos diplomáticos e econômicos para acabar com a crise antes que a situação na região se desestabilize ainda mais. "Vejo que Cingapura e Tailândia respondem de maneira diferente à Malásia, mas a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) deveria atuar coletivamente, já que Mianmá foi admitida como membro", afirmou Ibrahim. Em comunicado, a Associação de Advogados da Malásia condenou "a brutal resposta da junta militar aos protestos pacíficos do povo de Mianmá, liderado por monges e freiras budistas, para pôr fim à ditadura militar e introduzir reformas democráticas". As mobilizações pela democracia, que começaram em 19 de agosto como um protesto contra a alta dos preços dos combustíveis, são as mais graves enfrentadas pelo regime militar desde 1988.   Resistência   Sem ajuda internacional, os monges de Mianmá vão acabar desistindo do seu protesto contra o regime do pequeno país asiático, disse à BBC um estudante da religião budista que acompanhou os recentes protestos de dentro de um mosteiro.   "Quando eles vêem que o apoio aos protestos está diminuindo e o tempo está passando sem a ajuda de ninguém, eles perdem a esperança. Eles estão se desiludindo e, eventualmente, vão desistir", disse o estudante.   Ele pediu que o seu nome fosse omitido para que o mosteiro onde estava não pudesse ser identificado porque teme que isso possa colocar a segurança dos monges em risco.

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