Protestos rivais aumentam tensão em região ucraniana da Crimeia

Grupos pró-Rússia e defensores do novo governo ucraniano entraram em confronto

O Estado de S. Paulo,

26 de fevereiro de 2014 | 11h25

SIMFEROPOL, UCRÂNIA - Separatistas pró-Rússia e partidários dos novos líderes da Ucrânia ficaram frente a frente nesta quarta-feira, 26, diante do Parlamento regional da Crimeia, antes de um debate sobre a turbulência política que derrubou o presidente Viktor Yanukovich.

Cerca de 2 mil pessoas, muitas delas tártaras - grupo étnico nativo da Crimeia, uma península no mar Negro -, foram até o Parlamento para manifestar apoio ao movimento Euromaidan, que derrubou Yanukovich em Kiev após três meses de protestos.

Mas lá eles encontraram centenas de manifestantes pró-Rússia, que bradavam seu apoio a Moscou e denunciavam os "bandidos" que tomaram o poder na capital ucraniana. Os dois lados ficaram separados por cordões policiais.

A Crimeia passou a fazer parte da Ucrânia em 1954 quando o líder soviético era Nikita Khrushchev. A região continua sendo a única da Ucrânia onde a etnia russa é majoritária; parte da frota russa do mar Negro fica estacionada no porto de Sevastopol, a capital regional.

Agora, a Crimeia é o último reduto importante de oposição à nova ordem política pós-Yanukovich, e os novos líderes do país manifestam preocupação com os sinais de separatismo na península. As tensões na Crimeia destacam as divisões que permeiam o país de 46 milhões de habitantes e eleva os temores de que o leste e o sul, de fala predominantemente russa, não reconhecerão a legitimidade das autoridades interinas.

Os tártaros, maioria entre os manifestantes pró-Maidan na Crimeia, fizeram sua manifestação sob uma bandeira azul clara, gritando "Ucrânia! Ucrânia!" e repetindo o refrão do Maidan: "Abaixo a quadrilha!".

O grupo pró-Rússia, incluindo alguns cossacos com chapéus de lã e seda, respondiam aos gritos de "A Crimeia é russa!".

O empresário tártaro Rudik Asmanov, de 42 anos, disse: "Precisamos demonstrar nosso apoio a Kiev, honrar os 'Cem do Paraíso'", disse ele, referindo-se ao número de manifestantes mortos em Kiev.

Alexei, de 17 anos, parte da multidão pró-russa, tinha o rosto coberto e carregava um taco de beisebol na mochila. "Os tártaros agora são nossos inimigos. Eles estão se aliando aos bandidos em Kiev. Precisamos nos defender, ou será o caos."

Os tártaros da Crimeia têm um profundo ressentimento em relação do Kremlin, pois foram deportados em massa da península por ordem do ditador soviético Josef Stalin durante a Segunda Guerra Mundial./ REUTERS e AP

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