Protestos se espalham pela Síria e governo age com violência

Mesmo após promessas do regime, população sai às ruas; número de mortos pode chegar a 150, segundo ONGs

Reuters e AP, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2011 | 00h00

A onda de protestos na Síria já é a pior das últimas quatro décadas no país. Ontem, opositores foram às ruas em várias cidades para exigir o fim do regime do presidente Bashar Assad. Houve confrontos com partidários de Assad e com a polícia, que respondeu com violência. Pelo menos 20 pessoas morreram na capital, Damasco. Desde o início dos distúrbios, há uma semana, cerca de 60 manifestantes foram mortos - segundo ONGs de defesa dos direitos humanos, o número de vítimas pode chegar a 150.

Os relatos são contraditórios. Na quarta-feira, o governo confirmou a morte de 15 manifestantes após violentos choques com a polícia em Daraa, no sul do país, mas um hospital da região disse ter recebido 37 corpos.

As manifestações contra o regime intensificaram-se no dia 18, quando moradores de Daraa protestaram contra a prisão de 15 crianças que picharam frases contra o governo em um muro. Desde então, o governo enviou tropas e cercou a cidade. Testemunhas dizem que forças leais a Assad invadiram a mesquita local e dispararam contra a multidão que havia buscado refúgio no local.

Tentando conter a onda de protestos, o governo de Assad anunciou, na quinta-feira, o aumento de salários para funcionários públicos, prometeu combater a corrupção e estudar uma tímida abertura, que inclui a autorização para funcionamento de partidos políticos e a revogação do estado de emergência, vigente desde 1963.

As medidas, porém, não sensibilizaram a população. Ontem, uma multidão ateou fogo a uma estátua do ex-presidente Hafez Assad, pai de Bashar, em Daraa. Os confrontos espalharam-se por Latakia, Sanamein, Homs e chegaram a Damasco. A mesquita Omíada, no coração do centro histórico, virou uma praça de guerra.

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