Protestos se intensificam em Hong Kong após China descartar eleição democrática

Ativistas do movimento "Occupy Central" ameaçaram bloquear o distrito financeiro de Hong Kong em data não divulgada

CLARE JIM E DIANA CHAN, REUTERS

01 de setembro de 2014 | 09h43

A polícia de Hong Kong utilizou spray de pimenta para dispersar ativistas pró-democracia nesta segunda-feira, num momento em que o centro financeiro asiático passa por uma onda de protestos contra a decisão da China de descartar a possibilidade de democracia plena no território.

O Comitê Permanente do Congresso Nacional Popular (CNP) da China provocou reações políticas no domingo ao rejeitar as demandas democráticas do direito de escolher livremente o próximo líder de Hong Kong em 2017, levando milhares de manifestantes às ruas.

O tumulto nesta segunda-feira começou durante um tenso impasse na entrada de um centro onde um representante chinês explicava a decisão de Pequim, levando a polícia a utilizar spray de pimenta em meio ao cenário caótico dentro e fora do prédio.

Ativistas de um movimento chamado "Occupy Central" ameaçaram bloquear o distrito financeiro de Hong Kong em uma data não divulgada a menos que Pequim conceda democracia total à região.

“'Occupy Central’ é uma atividade ilegal. Se nós cedermos, isso resultará em mais atividades ilegais”, disse Li Fei, vice-secretário-geral do Comitê Permanente da CNP, que foi a Hong Kong para explicar a decisão do governo central, de Pequim.

Ativistas pró-democracia dentro do prédio confrontaram Li, gritando palavras de ordem e interrompendo seu discurso.

Hong Kong retornou ao controle chinês em 1997, com autonomia e liberdades não desfrutadas na China continental.

Os ativistas querem o sufrágio universal, mas os líderes do Partido Comunista dizem que qualquer candidato a dirigente do território tem primeiramente que ser aprovado por um painel, provavelmente repleto de políticos leais a Pequim, o que torna impossível a qualquer democrata da oposição se candidatar.

Caso legisladores de Hong Kong neguem essa decisão, governar Hong Kong pode se tornar muito difícil, disse Li. O próximo líder será, novamente, escolhido por um pequeno comitê sem qualquer forma de consulta popular.

Mas o líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, tentou dar um tom positivo para a decisão da CNP. “Ainda há espaço para discussão sobre a questão na legislação de Hong Kong”, disse ele.

Cerca de 100 ativistas se reuniram para o discurso de Li, alguns com a bandeira colonial britânica e cartazes com um “X" sobre os caracteres chineses para “comunismo”, mesmo em meio a uma pesada presença policial. Um grupo de apoiadores de Pequim, em contrapartida, balançava a bandeira da China.

O comitê da CNP endossou um planejamento para deixar apenas dois ou três candidatos concorrerem na eleição para o governo de Hong Kong, em 2017. Todos os candidatos têm de obter apoio majoritário do comitê de nomeação.

(Reportagem adicional de Bobby Yip e Venus Wu em Hong Kong; Michael Gold em Taipé e Rachel Armstrong em Cingapura)

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