Protestos tomam as ruas da Jordânia

Até então imune à Primavera Árabe, país começa a enfrentar turbulências em razão do aumento do preço do combustível autorizado pelo governo

AMÃ, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h02

Milhares de pessoas saíram ontem às ruas de Amã, capital da Jordânia, para gritar o slogan da Primavera Árabe: "O povo quer a queda do regime", em um momento em que as manifestações contra o aumento de preços ganham força no país, até então livre da agitação no Oriente Médio.

A Irmandade Muçulmana, organização predominantemente urbana, se uniu aos protestos, na maioria rurais, que irromperam nos últimos dias, elevando a possibilidade de uma longa instabilidade no país, que é um firme aliado dos Estados Unidos e tem uma extensa fronteira com Israel.

A manifestação de ontem foi pacífica e ocorreu perto da importante mesquita Husseini, no centro de Amã. Policiais desarmados separavam os participantes que criticavam o rei Abdullah II de um pequeno grupo que gritava slogans em apoio ao monarca."Saia, Abdullah, saia", repetiam os cerca de 4 mil manifestantes, enquanto a polícia, em parte com equipamentos antidistúrbio, permaneceu distante da multidão.

Os protestos, porém, vêm se tornando violentos em localidades pobres da Jordânia desde quarta-feira, quando o governo impôs um aumento no preço do combustível. Jovens desempregados e outros manifestantes atacaram delegacias de polícia, fecharam estradas, queimaram carros e incendiaram prédios.

Um manifestante foi morto na quinta-feira quando a multidão tentou invadir uma delegacia de polícia na cidade de Irbid, no norte do país. As províncias, contudo, pareciam estar mais calmas ontem.

A decisão da Irmandade Muçulmana de apoiar o protesto de ontem significa que o movimento de oposição mais bem organizado da Jordânia se uniu às manifestações, embora os líderes da Irmandade não tenham tomado parte.

"O rei Abdullah deveria se inteirar da situação, revisando sua decisão de aumentar os preços. O povo da Jordânia não tem condições de suportar mais fardos", disse o líder da Irmandade Muçulmana jordaniana, o xeque Hamam Said, em um comunicado antes dos protestos.

Uma situação de instabilidade na Jordânia viria em um momento perigoso para a região, quando a guerra na Síria corre o risco de ultrapassar as fronteiras do país e Israel bombardeia a Faixa de Gaza, governada pelo grupo islâmico Hamas.

O slogan "O povo quer a queda do regime" surgiu como a principal palavra de ordem nas manifestações da Primavera Árabe, que derrubaram autocratas da Tunísia ao Iêmen, e, em muitos casos, levou ao poder grupos islâmicos aliados à Irmandade Muçulmana e suas versões locais.

Na Jordânia, um movimento de oposição formado por liberais e islâmicos defende reformas, mas não a derrubada do rei, de 50 anos, que está no poder desde 1999. Aliado do Ocidente, o monarca é visto pela maioria dos jordanianos como um baluarte de estabilidade, equilibrando os interesses de tribos nativas com os dos jordanianos de origem palestina, que formam a maioria e estão cada vez mais assertivos. / REUTERS

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