Lam Yik Fei/The New York Times
Lam Yik Fei/The New York Times

Protestos voltam em Hong Kong no aniversário de um ano do movimento pró-democracia

Manifestantes tomaram a rua da metrópole para apoiar democracia e protestar contra autoritarismo da China

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2020 | 13h04

HONG KONG - Milhares de manifestantes foram às ruas nesta terça-feira, 9, em Hong Kong desafiando as advertências da polícia sobre aglomerações ilegais para marcar o aniversário de um ano da primeira grande marcha contra a legislação que permite a extradição para a China. A data marca um ano dos protestos massivos na ex-colônia britânica. 

No mês passado, a China aprovou uma lei de segurança que compromete o status da cidade como centro financeiro, naquela que é considerada a ação mais ousada de Pequim para minar a autonomia e é uma resposta direta aos protestos pró-democracia que eclodiram ano passado. 

As multidões interromperam o tráfego noturno enquanto dezenas de policiais se mobilizavam para tentar dispersar os manifestantes. Eles prenderam 25 pessoas, informou a polícia da cidade no Twitter. Os policiais também dispararam spray de pimenta, de acordo com o jornal South China Morning Post.

O governo de Hong Kong alertou que os manifestantes podem ser considerados culpados de "participar de uma assembleia não autorizada" e violar regras projetadas para prevenir e controlar doenças, de acordo com um comunicado. A cidade possui restrições sociais de distanciamento para conter a pandemia de coronavírus. 

No início do dia, centenas de pessoas foram para shoppings da cidade na hora do almoço cantando slogans antigovernamentais e agitando faixas pró-democracia, segundo o jornal. 

Histórico 

O início das manifestações gigantescas, algumas violentas, foi em 9 de junho de 2019. Naquele dia, uma enorme multidão de pessoas tomou as ruas da ex-colônia britânica, teoricamente semi-autônoma até 2047, opondo-se a um projeto de lei autorizando extradições para a China. A lei foi retirada após os atos.  

Confrontos entre policiais e manifestantes se tornaram frequentes, dividindo a população e afetando a reputação e a estabilidade do território. "Ainda temos que sair para nos fazer ouvir e dizer ao regime que não esquecemos", disse Michel, um manifestante de 23 anos que pediu para não ser identificado pelo sobrenome. 

Na terça-feira anterior, a líder de Hong Kong, Carrie Lam, nomeada por Pequim e muito impopular, disse que "Hong Kong não pode arcar com esse caos" e pediu a todos que "aprendam a lição". 

A ex-colônia britânica foi transferida para a China em 1997 após um acordo que garantia ao território uma autonomia e liberdades desconhecidas na China continental, de acordo com o princípio de "um país, dois sistemas". 

Na última década, nasceu um movimento de protesto alimentado pelo medo de perder liberdades na metrópole financeira. Segundo especialistas, a margem de manobra da oposição de Hong Kong tem sido reduzida desde o ano passado.


"Não acho que a raiva tenha diminuído muito, mas o problema é que muitas ações não são autorizadas nas circunstâncias atuais", disse Leung Kai-chi, analista da Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK). 


"As pessoas estão esperando por uma oportunidade, é claro que querem protestar novamente ... mas não o farão sem pensar", avaliou Francis Lee, diretor da escola de jornalismo CUHK.


A Frente de Direitos Humanos Civis, organizadora de alguns dos maiores protestos do ano passado, enviou uma chamada aos moradores da cidade para "se lembrarem de junho".

"Lembrar junho é lembrar a história dos protestos de Hong Kong, uma história de sangue e lágrimas", dizia o post do grupo no Facebook. "Apelamos a todos de Hong Kong que preservem nossa memória, resistam às leis do mal e lutem duro por Hong Kong e nosso futuro". / AFP e Washington Post 

 

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