Provas contra médico indiano foram fabricadas, diz jornal

Agentes australianos escreveram no diário de Haneef os nomes de suspeitos dos ataques frustrados no Reino Unido

Efe,

23 Julho 2007 | 00h46

Dois agentes da Polícia Federal australiana admitiram que fabricaram provas para incriminar Muhamed Haneef. O médico indiano foi detido no dia 2 de julho na Austrália por estar supostamente ligado aos atentados fracassados do Reino Unido, revelou nesta segunda-feira, 23, o jornal The Australian.   O jornal afirma que agentes da unidade antiterrorista reconheceram que escreveram no diário pessoal de Haneef os nomes de dois suspeitos desses ataques frustrados, para depois lhe perguntar se conhecia essas pessoas. Os dois suspeitos são Kafeel Ahmed e Sabeel Ahmed, primos de Haneef. Eles foram detidos no Reino Unido por envolvimento nos atentados frustrados.   No sábado, a Polícia australiana admitiu que as provas apresentadas na acusação contra Haneef eram errôneas.   A principal prova era que o cartão de telefone de Haneef tinha sido achado no jipe que em 30 de junho foi lançado contra o aeroporto de Glasgow, ataque atribuído a Kafeel Ahmed. A Polícia confirmou neste fim de semana que o cartão não foi encontrado na cena do atentado fracassado, informação que foi ratificada pelos investigadores britânicos.   O chefe da Polícia Federal, Mick Keelty, disse que a Polícia entrará em contato com os advogados de Haneef "para corrigir a informação".   As acusações da Polícia ao Tribunal de Magistratura de Brisbane foram utilizadas pelo Ministério de Imigração para suspender o visto de trabalho do médico indiano na Austrália, e impedir, com isso, que ele tivesse direito à liberdade sob fiança, concedida por um tribunal australiano.

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