Provas de espionagem do governo dos EUA serão liberadas

O secretário da Justiça americano, Alberto Gonzales, disse nesta quarta-feria que irá tornar públicos documentos que detalham o programa doméstico de espionagem do governo. "Nunca dissemos que não proviríamos acesso", disse Gonzales em entrevista. "Nós obviamente não estaremos de acordo com a abertura pública, que pode colocar em risco a segurança nacional de nosso país", afirmou. "Mas trabalharemos com o Congresso para liberar a informação que ele precisa".George W. Bush secretamente autorizou a criação de um programa de espionagem após o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, permitindo à Agência Nacional de Segurança burlar a corte e conduzir investigações domésticas de suspeitos de ligação com o terrorismo.Considerado inconstitucional por um juiz federal em agosto, o programa visa monitorar chamadas telefônicas e e-mails entre os EUA e outros países quando uma ligação terrorista parecer possível.Os documentos, retidos pela Corte para Vigilância e Inteligência Exterior, incluindo pedidos de permissão de investigadores para espionar, serão entregues assim que possível. Gonzales disse que os documentos não seriam levados a público."Estamos falando em documentos de alta restrição sobre atividades altamente sensíveis do governo dos Estados Unidos", disse o secretário.As gravações serão entregues ao líder democrata da Comissão Judiciária do Senado, o Senador Patrick Leahy, e ao senador republicano Arlen Specter, que duas semanas atrás censurou Gonzales por ter rejeitado revelar documentos com liberação aprovada.O porta-voz de Specter não deu declarações imediatas. Mas o republicano Heather Wilson, do Novo México, disse que o governo Bush ainda não irá soltar outros documentos cruciais que explicam como as ordens da Corte para Vigilância e Inteligência Exterior condizem com a lei de vigilância de 1978 que a corte monitora.Gonzales descreveu a decisão de liberar os documentos para Leahy e Specter como resultado de negociações com o Congresso."É importante para nós que eles entendam o que estamos fazendo", disse Gonzales. "Tudo que eles tem que fazer é perguntar".

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