TY WRIGHT | NYT
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Prováveis rivais, Trump e Hillary têm estilos opostos

Enquanto a democrata é racional e obcecada por detalhado programa de governo, o republicano é emocional e avesso a propostas elaboradas

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2016 | 00h45

WASHINGTON - Prováveis adversários na disputa presidencial dos EUA em novembro, Hillary Clinton e Donald Trump são donos de trajetórias e estilos diametralmente opostos. Enquanto ela é racional, contida e obcecada por um detalhado programa de governo, o bilionário é instintivo, emocional e avesso a propostas elaboradas. Trump fala por slogans, enquanto Clinton beira a linguagem acadêmica.

Ex-secretária de Estado e senadora por dois mandatos, a ex-primeira-dama dos EUA é de longe a que tem mais experiência no setor público. No entanto, ela enfrentará um eleitorado que se tem se revelado avesso a políticos tradicionais, cujo entusiasmo esteve na origem dos fenômenos Trump e Bernie Sanders, o democrata com quem ela ainda disputa a nomeação pelo Partido Democrata.

O bilionário e estrela do reality show O Aprendiz terá o desafio de transformar a mensagem que incendiou parte do Partido Republicano em algo palatável para os americanos que decidirão as eleições gerais de novembro.

As pesquisas realizadas até agora colocam Hillary na liderança da disputa presidencial. A média dos últimos levantamentos calculada pelo site Real Clear Politics dá à candidata 47% das intenções de voto, contra 41% de Trump. O bilionário tem apelo entre homens brancos, mas tem dificuldades em conquistar mulheres, negros e hispânicos, grupos cruciais para garantir a vitória.

Os dois candidatos compartilham índices recordes de rejeição, mas Trump lidera essa disputa. Ainda de acordo com o Real Clear Politics, 65% do eleitorado americano tem uma imagem negativa do bilionário de Nova York. O índice da provável candidata democrata é de 55%.

Decisão. Levantamento do Gallup, divulgado no mês passado, mostrou que 70% das mulheres têm uma visão negativa do candidato republicano. As mulheres representam mais da metade do eleitorado do país, porque registram patamares mais elevados de participação – o voto nos EUA não é obrigatório.

O bilionário também tem elevado índice de rejeição entre os hispânicos, um dos principais alvos de seus ataques desde que lançou sua candidatura, em junho do ano passado. Esse grupo pode ser decisivo na Flórida, um Estado que oscila entre democratas e republicanos e tem uma tradição de definir eleições presidenciais.

Os latinos representam 23% da população da Flórida e têm uma visão extremamente negativa de Trump. Levantamento da Associação das Indústrias da Flórida, divulgado há poucos dias, indica que 87% dos hispânicos do Estado expressaram opinião desfavorável em relação ao republicano.

O maior desafio da campanha de Hillary será lidar com um candidato imprevisível, que tirou da disputa alguns dos mais proeminentes nomes do Partido Republicano, entre os quais Jeb Bush, ex-governador da Flórida, que era preferido do establishment da legenda, e o senador Marco Rubio, também da Flórida, uma das estrelas do partido.

No entanto, em entrevista à CNN, na semana passada, Hillary disse estar pronta para enfrentar Trump. “Eu tenho grande experiência em lidar com homens que às vezes ultrapassam os limites na maneira pela qual se comportam ou como falam”. O magnata nova-iorquino respondeu. “Acho que a única carta que ela tem na manga é ser mulher”, disse. “Se Hillary Clinton fosse um homem, não teria 5% dos votos. E o mais lindo é que as mulheres não gostam dela.”

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