Christinne Muschi/Reuters
Christinne Muschi/Reuters

Vacinação contra covid quadruplica após Quebec exigir comprovante para comprar álcool e maconha

Agendamentos subiram de 1,5 mil para mais de 6 mil por dia na província canadense, que é a 2ª mais populosa do país. Governo agora planeja cobrar imposto de quem não se vacinar.

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2022 | 10h00
Atualizado 12 de janeiro de 2022 | 13h29

MONTREAL - O número de pessoas que se inscreveu para receber a primeira dose de uma vacina contra a covid-19 aumentou mais de 400% em apenas uma semana na província canadense de Quebec, segundo o Ministro da Saúde da província canadense, Christian Dubé.

O crescimento aconteceu após o anúncio de restrições na venda de álcool e maconha – que é legalizada para fins recreativos no país desde 2018 – a não vacinados. Quebec é a segunda província mais populosa do Canadá.

Na sexta-feira, 7, Dubé afirmou que o número de agendamentos diários subiu de 1,5 mil para mais de 6 mil e agradeceu aqueles que finalmente decidiram dar o primeiro passo para a imunização.

A mensagem foi publicada um dia após ele dizer que um passaporte sanitário, comprovando a vacinação, passaria a ser exigido de todos aqueles que desejarem entrar em lojas associadas à Société des alcools du Québec (SAQ) e à Société québécoise du cannabis (SQDC), órgãos que regulamentam estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas e maconha na província.

A exigência entra em vigor na terça-feira, 18, e será ampliada para outros estabelecimentos não essenciais, que devem ser anunciados nos próximos dias.

Imposto para não vacinados

Paralisada pela propagação da variante Ômicron, Quebec vai criar nas próximas semanas um novo imposto sanitário para quem não está vacinado contra a covid-19. "Estamos trabalhando em uma contribuição de saúde para todos os adultos que se recusam a ser vacinados, pois eles representam um fardo financeiro para todos os cidadãos da província", disse o governador de Quebec, François Legault.

Para ele, os 10% dos habitantes da província que ainda não receberam uma dose do imunizante não devem prejudicar os 90% que já se vacinaram. "Não cabe a todos os quebequenses pagar por isso", afirmou, durante uma entrevista coletiva, e especificou que o governo da província quer que o imposto represente uma "quantidade significativa". "Sinto certo descontentamento com a minoria não vacinada que, considerando tudo, obstrui nossos hospitais."

O governador de Quebec explicou que esses 10% de adultos não vacinados representam 50% das pessoas em unidades de terapia intensiva, situação que descreveu como chocante. Ele explicou que a proposta, cujos detalhes ainda estão sendo finalizados, não se aplicaria àqueles que não podem ser vacinados por razões médicas. 

Em uma tentativa de conter a nova onda, Quebec anunciou em 30 de dezembro o retorno de algumas restrições, incluindo um toque de recolher às 22h e a proibição de reuniões privadas. No total, 2.742 pessoas com covid estão internadas e cerca de 255 pessoas estão em UTIs em Quebec, que tem cerca de 8 milhões de habitantes.

As hospitalizações também continuam a aumentar na província vizinha de Ontário, a mais populosa do Canadá, com 3.220 pessoas internadas e 477 em terapia intensiva.

Os governos em todo o mundo impuseram restrições de movimento aos não vacinados, mas um imposto abrangente sobre todos os adultos não vacinados pode ser uma medida rara e controversa.

Embora esse imposto possa ser justificado no contexto de uma emergência de saúde, disse Carolyn Ells, professora de medicina e ciências da saúde da Universidade McGill, se sobreviverá a uma contestação judicial dependerá dos detalhes. Mas Ells expressou surpresa que o governo esteja dando um passo tão dramático agora, quando ainda restam opções como expandir ainda mais os mandatos de vacinas./AFP e REUTERS 

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