Esam Al-Fetori/Reuters
Esam Al-Fetori/Reuters

Província do leste da Líbia cria conselho independente

Líderes da Cirenaica buscam mais autonomia em relação ao governo de Trípoli

Reuters

06 de março de 2012 | 12h40

BENGHAZI - Líderes civis da província de Cirenaica, situada no leste da Líbia e onde fica a maior parte das reservas de petróleo do país africano, anunciaram nesta terça-feira, 6, a criação de um conselho independente para administrar os assuntos da região.

 

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A declaração não tem caráter oficial e não decreta a separação da Cirenaica, mas coloca em evidência o descontentamento das lideranças da província, que viveu em atrito com Trípoli durante anos, e mostra a disposição da população em ser uma força opositora ao governo interino do Conselho Nacional de Transição, instituído durante a guerra contra o ditador Muamar Kadafi.

 

Em Benghazi, cerca de 3 mil delegados elegeram Ahmed al-Senussi, parente de um ex-monarca líbio e prisioneiro político durante a ditadura de Muamar Kadafi, como líder do novo conselho.

 

A decisão, que também mostra a disposição da Cirenaica em buscar sua independência, é motivo de preocupação para as companhias petrolíferas internacionais que operam na Líbia, já que aumenta a possibilidade de que essas empresas tenham que renegociar seus contratos de exploração com uma nova entidade.

 

A declaração do congresso, porém, não deixa claro se o novo conselho da província regulará a Cirenaica junto com as instituições do Conselho Nacional de Transição ou se será um governo paralelo. Mohammed Buisier, um dos organizadores do encontro, disse que os líderes da região entraram em contato com Trípoli e os convidaram a negociar.

 

A declaração adotada em Benghazi afirma que "o Conselho da Província da Cirenaica está estabelecido... para administrar as questões da província e proteger os direitos de seu povo". O texto ainda diz que aceita o Conselho Nacional de Transição como "o símbolo de unidade do país e seu legítimo representante internacional". O governo de Trípoli já anunciou que não apoia o plano de autonomia.

 

De acordo com o documento, a Cirenaica quer um sistema federal sob o qual as outras províncias histórias de Fezzan, no sul, e Tripolitania, no oeste, também tenham um alto grau de autonomia ante o governo de Trípoli. A eleição de uma nova assembleia nacional em junho também é rejeitada, já que os líderes querem uma maior representação para a Cirenaica.

 

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