Província do Paquistão adota lei islâmica

A província paquistanesa que faz fronteira com o Afeganistão será a primeira no país a ser administrada com base nos ensinamentos do Corão, o livro sagrado do Islã. O projeto de lei, aprovado por aclamação na assembléia da Província da Fronteira Noroeste, ainda terá de ser sancionado pelo governador Sayed Ifikhar Hussain Shah, mas isso é considerado uma mera formalidade.O Paquistão, uma nação muçulmana profundamente conservadora, tem, apesar disso, resistido a adotar um sistema legal baseado numa interpretação estrita da Sharia, ou lei islâmica. A coalizão de seis partidos islâmicos do Mutahida Majlis-e-Amal, ou Fórum da Ação Unida, conquistou a maioria na Assembléia da Fronteira Noroeste nas eleições de outubro, com uma plataforma fortemente antiamericana. O programa da coalizão gira em torno da imposição da a Sharia na província.O Paquistão é um aliado-chave dos EUA na luta contra o terrorismo. O governo do general Pervez Musharraf já prendeu centenas de supostos integrantes da Al-Qaeda e os entregou a Washington. A ascensão de radicais islâmicos em locais como a província da Fronteira Noroeste irá preocupar os Estados Unidos. Oficiais de inteligência acreditam que Osama bin Laden e outros líderes da Al-Qaeda estão se escondendo na região montanhosa entre a província e o Afeganistão.Legisladores da oposição tentaram sem sucesso apresentar emendas ao projeto de lei para enfraquecê-lo, como uma sobre o direito das mulheres. Mas, prevendo a derrota, retiraram as emendas e votaram a favor da Sharia. O projeto aprovado obriga tribunais locais a interpretarem a lei provincial com base nos ensinamentos da Sharia. Também pede a criação de comitês para adaptar os sistemas educacional e financeiro ao Corão e exige que a lei islâmica seja ensinada nas faculdades de Direito.

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