Jonathan Ernst/Reuters
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Próximo censo dos EUA incluirá pergunta sensível sobre cidadania

Apenas os cidadãos americanos podem fazer o registro para votar, mas Trump afirma que milhões de imigrantes sem documentos votaram nas eleições presidenciais de 2016, sem apresentar provas

O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 13h22

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos anunciou a reintrodução a pergunta sobre cidadania no censo populacional de 2020, uma questão delicada na era de Donald Trump, que transformou a redução da imigração, legal e ilegal, em um pilar de sua presidência.

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O Departamento do Comércio, que supervisiona o censo, afirmou que a pergunta será acrescentada a pedido do Departamento de Justiça para ajudar a determinar possíveis violações da "Voting Rights Act", a lei que proíbe a discriminação racial no voto.

Apenas os cidadãos americanos podem fazer o registro para votar, mas Trump afirma que milhões de imigrantes sem documentos votaram nas eleições presidenciais de 2016, sem apresentar provas.

A última vez que uma pergunta sobre cidadania foi incluída no questionário do censofoi em 1950.

Críticos temem que a pergunta desestimule algumas minorias a participar no censo, pelo temor de que a informação possa ser usada contra elas, o que prejudicaria a exatidão da pesquisa.

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Até imigrantes com visto de residência legal teriam medo de participar, caso tenham vínculos com pessoas sem a documentação legalizada, afirmam analistas.

O censo afeta a distribuição de mais de 675 bilhões de dólares por ano em recursos federais para escolas, hospitais, estradas e outros serviços públicos, segundo o Escritório do Censo.

A polêmica pode agravar o problema do censo de 2010, no qual analistas consideram que 775.000 latinos não foram registrados.

Caso as minorias, com frequência concentradas em centros urbanos que dão mais apoio a candidatos democratas, não participem em grande número no censo, isto poderia afetar a balança de poder no Congresso.

Em 2010, a população americana era de 308,8 milhões de pessoas, um aumento de 9,7% em uma década. De acordo com estimativas, atualmente seria de 327 milhões (+5,8%). / AFP

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