AFP PHOTO / Filippo MONTEFORTE
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Próximo premiê britânico terá quatro grandes desafios

Futuro líder enfrentará a saída da União Europeia, os desejos separatistas da Escócia e da Irlanda do Norte, a ameaça à segurança e uma frágil economia

O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2017 | 05h00

LONDRES - O próximo primeiro-ministro britânico terá quatro grandes desafios durante seu mandato.

Brexit. No dia 19, o Reino Unido e a União Europeia deverão iniciar dois anos de negociações sobre a saída do bloco europeu, o Brexit, um calendário que poderá ser alterado se houver negociações para a formação de um governo britânico.

Em qualquer caso, para Londres é importante negociar o divórcio e o acordo de livre-comércio ao mesmo tempo e ter tudo preparado para o momento da saída da UE e evitar, assim, que as empresas britânicas perdam a possibilidade de continuar comercializando sem entraves com o principal destino de suas exportações.

Mas os europeus acreditam que é inviável chegar a um acordo sobre a questão no prazo de dois anos. Isso e a sorte de 3 milhões de europeus que vivem no Reino Unido, ansioso para limitar a imigração, são os maiores contenciosos nas negociações sobre o Brexit.

Separatismo. Os separatistas escoceses do Partido Nacional Escocês (SNP), que governam a região do norte, querem realizar um segundo referendo sobre independência, alegando que os escoceses queriam continuar na UE e, em caso de vitória, herdar sociedade britânica no bloco europeu.

A Irlanda do Norte também votou a favor de continuar na UE e a volta dos controles de fronteira à República da Irlanda, Estado-membro, ameaça empobrecer a economia da província, levantar de novo um muro com o vizinho do sul e ressuscitar o fantasma do conflito entre católicos republicanos leais a Dublin e protestantes leais a Londres. Os Acordos de Paz de 1998 prevêm a possibilidade de um referendo de adesão à Irlanda, algo que agora não parece tão remoto.

Segurança. Três atentados nos últimos três meses, com 35 mortos, após 12 anos sem ataques, levaram a questão da segurança no país ao primeiro plano.A campanha da conservadora Theresa May foi prejudicada pelos cortes orçamentários e a redução da força policial quando ela foi ministra do Interior entre 2000 y 2006.

As críticas a May são reforçadas pelo fato de que alguns dos terroristas estiveram sob a mira das forças de segurança e continuaram livres para cometer os atentados. À medida que o Estado Islâmico perde terreno, mais e mais jihadistas britânicos voltam a seu país, aumentando a pressão sobre as forças de segurança.

Economia. A inflação britânica alcançou em abril seu mais alto nível em 3 anos (2,7%), em parte pelo encarecimento das importações pela desvalorização da libra. 

Espera-se que a inflação de 2017 seja de 3%, combinada com um débil crescimento salarial que se traduz em menos dinheiro no bolso dos eleitores.

Desde que os britânicos votaram a favor da saída da União Europeia, em 23 de junho de 2016, a libra sofreu uma desvalorização de cerca de 15% em relação ao dólar e ao euro.

As previsões mais recentes indicam uma redução do crescimento à medida que o Reino Unido negocie sua saída da União Europeia. O crescimento do PIB situou-se em 0,2% nos primeiros 3 meses de 2017, em comparação com o último trimestre do ano passado. Foi o crescimento trimestral mais débil nos últimos 12 meses. 

O ministro das Finanças prevê uma expansão econômica de 1,7% este ano e de 1,4% em 2018. Isso supõe uma desaceleração em relação ao 1,8% de 2016. / AFP

 

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