Próximo presidente chinês exige menos conversa fiada e exageros de líderes

O chefe do Partido Comunista chinês, Xi Jinping, atacou nesta terça-feira as reuniões prolixas e cerimônias exageradas de boas-vindas, que são comuns na vida dos líderes seniores, e exigiu menos show e menos parasitas nas viagens ao exterior.

Reuters

04 de dezembro de 2012 | 14h46

Altos funcionários raramente vão a qualquer lugar sem dar discursos deletérios, e são recebidos com bajulação das pessoas locais, com crianças muito maquiadas entregando flores e pensionistas às lágrimas ou cantando.

Mas o futuro presidente Xi sinalizou que não quer nada disso.

Visitas em todo o país por líderes não devem mais ser recebidas por tapetes vermelhos, bandeiras de boas-vindas ou banquetes, disse um comunicado divulgado pela mídia estatal, após uma reunião dos 25 membros do Politburo, o segundo maior órgão de decisão do partido, que se reporta para o núcleo de elite do partido, a Comissão Permanente, de sete homens.

Reuniões devem ser encurtadas e a "conversa fiada" está proibida, acrescentou.

Uma parte das visitas estrangeiras sempre mostradas em detalhes pela televisão estatal vai acabar. Também não haverá mais as hordas de funcionários arrastados nessas viagens.

"O estilo das autoridades, particularmente as altas autoridades, tem um impacto importante no estilo do partido e no estilo do governo e até mesmo em toda a sociedade", disse o comunicado.

"Essa maneira de fazer as coisas deve iniciar com o Comitê Permanente. Se você quer que as pessoas façam algo, então as faça você em primeiro lugar; se você não quer que alguém faça alguma coisa, então certamente não o faça."

A mídia estatal também deve restringir a publicação de histórias sem sentido sobre eventos oficiais a menos que haja notícias de valor real, e mesmo quando escreverem artigos, esses devem ser curtos e diretos ao ponto, disse o comunicado.

O partido, que não mostrou nenhum sinal de renunciar ao seu forte controle do poder, tem se esforçado para conter a ira pública ante um fluxo aparentemente interminável de escândalos de corrupção, em especial quando funcionários são vistos abusando de seus cargos para acumular riqueza.

Xi, que toma posse como presidente no lugar de Hu Jintao na reunião anual do parlamento, em março, avisou logo depois de se tornar chefe do partido que o país corria o risco de uma agitação se a corrupção não fosse resolvida.

Enquanto o seu mais recente movimento para conter a extravagância foi muito bem recebido no popular serviço de microblogging chinês, o Sina Weibo, alguns se perguntaram se ele não teria ido longe demais ao atacar costumes há muito arraigados.

"Se ele realmente quer fazer isso, não vai ser fácil. Nós vamos ter que ouvir suas palavras e ver suas ações", escreveu um usuário.

(Reportagem de Ben Blanchard e Sally Huang)

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