Próximos meses são críticos para Iraque, diz enviado dos EUA

O embaixador dos Estados Unidos no Iraque disse nesta segunda-feira, 23, que os líderes locais devem afastar-se da posição de tudo ou nada a fim de chegarem aos acordos políticos necessários para curar as divisões do país.Ryan Crocker afirmou, em sua primeira entrevista coletiva desde que chegou a Bagdá, em março, que os próximos meses serão críticos para o frágil governo de coalizão do primeiro-ministro Nuri al-Maliki.Ele advertiu que a organização islâmica sunita Al-Qaeda está tentando provocar uma nova onda de violência entre a minoria sunita e a maioria xiita, com uma campanha de ataques suicidas que mataram centenas de pessoas nas últimas semanas.Ações suicidas mataram ao menos 27 pessoas nesta segunda-feira no Iraque, incluindo um ataque em um restaurante perto da Zona Verde, a área administrativa fortificada de Bagdá, onde Crocker participou da entrevista. Os ataques acontecem no momento em que milhares de soldados norte-americanos e iraquianos tomam a capital, estabelecendo postos de controle e posições de combate nos bairros, além de fechar algumas regiões com muros de concreto para tentar conter a violência. "Acho que o plano de segurança de Bagdá...pode ganhar tempo, mas o que ele faz é ganhar tempo para o que precisa acontecer -- um série de entendimentos políticos entre os iraquianos. Acho que os próximos meses serão críticos", disse Crocker. Secretário de DefesaAs declarações de Crocker são similares às do secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, que se reuniu com líderes iraquianos na semana passada. "A definição de reconciliação significa afastar-se da mentalidade de ´ganhar ou perder´ e ir para alguma forma de acomodação mais ampla", disse Crocker. Os árabes sunitas, que dominavam o país durante o regime de Saddam Hussein, sentem-se marginalizados no novo cenário político, em que xiitas e curdos tentam cimentar seu poder, com todos os lados mostrando pouca disposição para acordos. Crocker disse que ressaltou nas conversas com autoridades iraquianas que "o povo americano precisa ver progresso significativo na direção da reconciliação a fim de garantir que exista apoio nos EUA neste momento crítico". "Mas não podemos ditar isso", afirmou, dizendo que a reconciliação é um processo iraquiano, que Washington apoiaria.A última semana foi a mais crítica desde que o Exército dos Estados Unidos reforçou a segurança em Bagdá. Dados do ministério da Saúde divulgados nesta segunda-feira mostram que 262 pessoas foram mortas em atentados no período, a maioria por ataques de sunitas contra xiitas. Os ataques deixaram também 747 feridos.AtaquesCrocker disse que também debateu nos últimos dias com autoridades do governo e militares do Iraque como reduzir o impacto dos ataques da Al-Qaeda, e desmobilizar a organização, que é dirigida por combatentes estrangeiros. "Estamos lidando com uma operação altamente descentralizada. Figuras locais provavelmente têm muita participação nos preparativos de uma operação. Isso aumenta o desafio de tentar pará-los", disse. Em nova tática para impedir ataques, tropas dos EUA começaram a construir muros em alguns bairros visados de Bagdá, mas a medida provocou críticas de alguns partidos sunitas e xiitas. Maliki disse no último domingo, durante visita ao Cairo, que ordenou o fim da construção da barreira de concreto de 3,6 metros de altura ao redor do bairro sunita de Adhamiya.Questionado se a construção da barreira foi suspensa, Crocker afirmou que "obviamente respeitaremos o desejo do governo e do primeiro-ministro...não estou certo de onde estamos no momento em relação aos debates sobre este tema específico." Nos ataques desta segunda-feira, um carro-bomba detonado por um suicida matou 10 pessoas e feriu 20 na ação contra o escritório de um partido político curdo perto da cidade de Mosul, no norte do país, disse a polícia. Em Baquba, ao norte de Bagdá, 10 policiais foram mortos, inclusive o chefe das forças locais, e 23 ficaram feridos na explosão de um carro-bomba, disse a polícia. Em Bagdá, a polícia disse que um homem-bomba entrou em um restaurante perto da Zona Verde, matando seis pessoas e ferindo 11. ExércitoEm operações do comando militar dos Estados Unidos, doze supostos rebeldes morreram em um ataque contra uma reunião de insurgentes no sul de Bagdá, enquanto outros quatro perderam a vida em uma operação terrestre em Faluja, 50 quilômetros ao oeste da capital.Em nota publicada nesta segunda, que não especifica a data das ofensivas, acrescenta que foram detidos 26 dos supostos insurgentes, que seriam responsáveis por facilitar o trabalho dos combatentes estrangeiros que atravessamas fronteiras do Iraque para se unir à Al-Qaeda.Paralelamente, as Forças de Segurança iraquianas mataram dois supostos insurgentes e detiveram outros 48 em uma operação na província de Salah ad-Din, região majoritariamente sunita do norte do Iraque, informaram fontes policiais.O confronto aconteceu quando efetivos iraquianos implementaram um grande esquema de segurança em Shurqat, 80 quilômetros ao norte de Tikrit, após o assassinato do filho de Ahmed Jabouri, o vice-ministro de Interior, e três de seus seguranças, na quinta-feira passada.Na operação, que teve a colaboração de vários chefes tribais da região, foram detidos 48 supostos insurgentes pertencentes ao chamado Estado Islâmico do Iraque, grupo ligado à Al-Qaeda.

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