PSUV alerta para reação contra Chávez

Documento do partido chavista pede atenção para que discurso da oposição não cause uma onda de votos punitivos ao presidente

ROBERTO LAMEIRINHAS, ENVIADO ESPECIAL A CARACAS, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2012 | 03h08

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente Hugo Chávez, apresentou na semana passada um documento a "um reduzido círculo de camaradas", no qual mostra preocupação com o que chamou de "voto castigo" contra o governo na eleição de hoje. O jornal El Universal teve acesso ao estudo, que pede aos dirigentes atenção para que o "discurso brando de encantamento" da oposição não provoque uma onda de votação punitiva a Chávez.

"A revolução tem dois desafios fundamentais: eliminar o abstencionismo nas fileiras do chavismo (maior perigo) e organizar em detalhe o plano de defesa do voto", diz o texto, referindo-se ao possível desencanto dos eleitores históricos do líder bolivariano. "É preciso potencializar novamente, em todas as partes, a figura do comandante Chávez como líder indiscutível do povo e garantia do poder popular."

O documento reconhece quatro frentes do "discurso de encantamento" do opositor Henrique Capriles que podem causar impacto na população: "reconciliação nacional, pobreza, emprego e segurança". E toma para o PSUV o mérito de ter revelado recentemente um suposto "plano neoliberal" no programa de governo distribuído aos eleitores por Capriles.

Em resposta ao que chamou de "panorama dominado pelo crescimento das críticas às conquistas da revolução", a análise recomenda aos dirigentes do partido uma "campanha de sensibilização do povo sobre o que significa o projeto de Chávez".

Nos 14 anos em que exerce o poder na Venezuela, Chávez isolou politicamente setores importantes da vida política do país, como grupos empresariais poderosos e a mídia privada, dividindo a sociedade e usando poderes do Estado para calar os críticos. Ele não conseguiu eliminar a miséria, apesar de tê-la reduzido pela metade desde 1998, ainda luta contra uma taxa de desemprego de 8% e assistiu ao crescimento assustador da criminalidade comum, que teria custado a vida de 360 mil venezuelanos neste período.

Além disso, embora tivesse sido beneficiado com a entrada estimada de US$ 140 bilhões da renda do petróleo desde que chegou ao Palácio de Miraflores, enfrenta problemas de infraestrutura no setor elétrico, de comunicações e de transportes.

O documento do PSUV recomenda a visibilidade dos pontos positivos do projeto bolivariano. Entre eles estão as chamadas "missões", que reduziram de 40%, em 1998, para 9% a faixa da população que vive com menos de US$ 2 por dia, eliminaram o analfabetismo - segundo critérios usados pela Unesco - e levaram assistência médica à população mais pobre. A mais recente estrela da campanha política de Chávez é o programa Mi Casa, Mi Vida, que tem como meta entregar 360 mil moradias até 2019.

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