PT critica os EUA em ato contra terrorismo

O PT repudiou hoje, em ato público, os atentados ocorridos em Nova York, Washington e Pittsburgh, mas criticou duramente os Estados Unidos e o apoio do governo brasileiro à intenção americana de retaliar a ação terrorista. Parlamentares, dirigentes e militantes petistas lamentaram a morte de inocentes nos ataques com Boeings em território americano, mas ressaltaram que os americanos também investiram militarmente contra países do Terceiro Mundo, provocando milhares de mortes. Houve quem lembrasse que o dia dos atentados, 11 de setembro, foi o mesmo em que, em 1973, um golpe derrubou o governo do Chile, com apoio dos EUA.O deputado federal Milton Temer (RJ) acusou o governo brasileiro de ter colocado em "situação constrangedora" os líderes partidários que convidou para discutir a crise internacional. Segundo ele, o presidente Fernando Henrique Cardoso tentou levá-los a aderir à proposta do governo brasileiro de apoiar qualquer posição de retaliação dos Estados Unidos, o que condenou. "É uma cretinice, da qual o Brasil não pode participar", discursou. Para Temer, que deplorou o terror, o apoio a uma vingança dos Estados Unidos contra países que supostamente apóiam terroristas é contra a tradição diplomática brasileira. "O ato de terror que matou mais gente, antes desses, foi o de Oklahoma, por um americano", disse o parlamentar, na tradicional manifestação da hora do almoço das sextas-feiras, no Buraco do Lume, no centro. "E ninguém se lembrou de mandar bombardear a terra desse maluco (Thimothy McVeigh)." Temer também lembrou que os Estados Unidos apóiam a "direita de Israel" contra os palestinos e "foram abandonando" a Organização das Nações Unidas (ONU), segundo ele criada para promover a paz, em favor da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma aliança militar, criada durante a Guerra Fria.Recém-filiado ao PT, o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes e ex-deputado Lindbergh Farias também condenou o terrorismo e lamentou as mortes de inocentes nos EUA, mas não perdoou a política internacional norte-americana. Ele acusou os americanos de terem provocado 150 mil mortes no Iraque. "É preciso que se diga que os Estados Unidos estão provando do veneno que ajudaram a semear no mundo", atacou. "Quem financiou os Talebans? Quem financiou Bin Laden? Foram os Estados Unidos!" Ele pediu uma campanha contra a possível retaliação a países muçulmanos, que, afirmou, atingiria inocentes. Outro que criticou os norte-americanos foi o vereador Eliomar Coelho. "Ninguém concorda com o que aconteceu, respeitamos a dor dos parentes das vítimas, mas os Estados Unidos, o que têm feito ao longo da história, patrocinaram as maiores ditaduras", atacou. "De maneira que é isto aí, é um princípio físico: a cada ação corresponde uma reação." Coelho também condenou uma possível retaliação e a "declaração açodada" do governo brasileiro de apoio à retaliação. "Violência gera violência, vai sobrar para a gente", disse.O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, Chico Alencar, lembrou o golpe no Chile, apoiado pelos Estados Unidos. "O 11 de setembro de agora não é estranho ao 11 de setembro de 1973", disse. Ele também afirmou que uma criança, ao saber do ataque da última terça-feira, lembrou os bombardeios nucleares contra Hiroshima e Nagasaki, pelos EUA, no fim da Segunda Guerra Mundial, com centenas de milhares de vítimas. "São atos até de terrorismo de Estado, mas igualmente brutais e condenáveis", declarou.Uma comissão da Assembléia deve entregar ao Consulado dos Estados Unidos um documento de solidariedade, mas pedindo uma nova ordem internacional, "sem hegemonismo americano".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.