Publicação de fotos de prisioneiros por israelenses é comum, diz ONG

Organização que reúne soldados da reserva diz que há imagens de militares ao lado de corpos

BBC

18 de agosto de 2010 | 10h03

 

TEL AVIV - A Breaking the Silence, organização que reúne soldados israelenses da reserva, divulgou várias fotos postadas no Facebook por militares posando ao lado de prisioneiros palestinos e afirmou que o caso da ex-soldado Eden Abarjil, que causou uma onda de indignação, não é isolado.

Segundo a ONG, esse tipo de comportamento de soldados israelenses é um "fenomeno muito amplo e apenas uma pequena parte das fotos é divulgada".

Depois da publicação das fotos da ex-soldado Abarjil, sorrindo ao lado de presos palestinos algemados e com os olhos vendados, a ONG se dirigiu aos veículos de comunicação em Israel e mostrou várias outras fotos, tiradas por outros soldados, inclusive ao lado de corpos de palestinos mortos.

O site de noticias do jornal Yediot Ahronot, um dos maiores do país, publicou várias das fotos, sob o título - "Abarjil não está sozinha".

O porta-voz do Exército israelense, Avi Bnayahu, divulgou uma nota à imprensa condenando o comportamento dos soldados e afirmando que esse tipo de comportamento é "anormal".

Segundo a Breaking the Silence (Quebrando o Silêncio, em tradução livre), que divulga depoimentos de soldados sobre violações dos direitos humanos dos palestinos nos territórios ocupados, a publicação desse tipo de fotos por soldados israelenses é a "norma a qual Avi Bnayahu nega existir".

"O Exército trata duramente qualquer soldado que se comporte de maneira inadequada em relação a suspeitos ou presos", diz a nota oficial.

"Além da punição, as mensagens do comando são assimiladas diariamente pelos soldados e oficiais, por intermédio de cursos... a distinção entre o que é permitido e o que é proibido, o que combina com os valores do Exército de Defesa de Israel e o que é inadmissivel".

"O Exército faz todos os esforços para que incidentes anormais como esses não se repitam, vale mencionar que a maioria dos incidentes desse tipo é investigada em consequência da atenção dos comandantes e não de elementos externos", conclui a nota do porta-voz militar.

 

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