Chase Stevens/AP
Chase Stevens/AP

Público em Las Vegas confundiu disparos de arma com fogos de artifício

Grupo se escondeu dentro de um freezer nos bastidores do palco; local não tinha saídas de fácil acesso ou abrigo

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 19h57

Dentre os relatos dos sobreviventes do ataque a tiros desta segunda-feira, 2, em Las Vegas, uma narrativa se repete - a confusão dos disparos com fogos de artifício. "Foi a coisa mais maluca que já vi em toda a minha vida", disse Kodiak Yazzie, de 36 anos. "Você podia ouvir que o barulho estava vindo do oeste, do (hotel) Mandalay Bay".

Monique Dumas estava a seis fileiras do palco quando ouviu o que achou ser o barulho de uma garrafa quebrando, seguido do barulho que parecia ser de foguetes. A confusão com fogos de artifício é comum entre os que relatam o que aconteceu. "Pareciam fogos. As pessoas estavam caindo no chão. Não parava mais", disse Steve Smith, de 45 anos. Ele ressalta que os tiros se prolongaram por um longo período. "Provavelmente 100 tiros por vez. Soava como se estivesse recarregando e continuando", relembra.

Jamey Eller, de 66 anos, estava no show e disse que ela e os amigos se deitaram no chão quando aconteceram os primeiros disparos. Na segunda rodada de tiros, começaram a se rastejar. Conforme o ataque continuava, perceberam que precisavam sair dali. "Não tínhamos ideia de onde estávamos indo, só estávamos escutando os disparos. Parecia que estava nos perseguindo."

A irmã de Eller, Cindy McAfee, de 56 anos, ligou para o marido, que ficara em seu quarto no hotel Mandalay Bay, e perguntou onde estava o atirador. "Ele estava olhando para baixo, vendo o que estava acontecendo e disse 'só saiam daí - ele não está aí, ele está aqui'", disse McAfee.

Jake Owen, cantor que estava no palco com Jason Aldean quando os tiros começaram, afirmou à CNN que as vítimas eram baleadas com facilidade. "Não estou exagerando: o tiroteio durou pelo menos dez minutos. Não parava”. Pessoas que estavam no local relembram os disparos incessantes. "Todos estavam correndo, você podia ver as pessoas sendo baleadas", disse Gail Davis, que testemunhou a tragédia. 

A multidão que ocupava o espaço aberto do festival não tinha onde se esconder ou saídas de fácil acesso. Enquanto alguns caíam no chão, outros corriam em pânico. Houve quem se escondesse atrás de barracas ou se protegesse embaixo de carros estacionados.

Abrigo em freezer. Um dos relatos de destaque entre os sobreviventes é o de Bryan Hopkins, músico que estava nos bastidores antes de o ataque começar. Em entrevista à CNN, ele relatou como foi sua reação. "Ali pela quinta música, nós ouvimos um pop-pop-pop-pop e pensamos que poderiam ser fogos ou algum problema no sistema de som".

Ele e o amigo perceberam que havia algo errado quando Jason Aldean, o cantor que se apresentava no palco, largou sua guitarra e saiu correndo. "Um cara caiu à nossa frente. Do lado direito dele, outro cara caiu. Quando olhamos para trás, duas garotas também caíram".

Foi quando Hopkins e o amigo começaram a correr para os bastidores, ao contrário da maioria do público, que ia para a parte traseira da arena. "Eu estava guiando todos que me seguiam e nós chegamos numa parede. Foi quando vimos um depósito de gelo - era um trailer. Abrimos as portas e começamos a ajudar o pessoal a entrar ali, no freezer. Eram umas 20 ou 30 pessoas dentro do freezer, escondidas, tentando ficar calmas". / REUTERS, AP, NYT

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