Puerta e Duhalde são mais cotados para governo

O presidente Fernando de la Rúa antecipou sua renúncia sem dar ao Partido Justicialista a vitória de ter se livrado do peso do desgaste do abandono da conversibilidade e do anúncio oficial do calote (default) da Argentina, conseqüências imediatas do novo rumo econômico do país. Hoje, às 11 horas (meio-dia de Brasília), o novo presidente interino do país, senador Ramón Puerta, convocou uma Assembléia da Câmara e do Senado para aceitar formalmente o pedido de renúncia de De la Rúa e abrir o debate sobre a forma constitucional de cumprimento dos dois anos de mandato que restam. A saída de Fernando De la Rúa abriu uma grande polêmica sobre sua substituição. Conforme a atual Lei Constitucional, Ramón Puerta, presidente do Senado, ocupa a cadeira presidencial imediatamente após a renúncia - o que já ocorreu - e, a partir disso, tem três opções: permanecer no cargo pelos dois anos restantes de mandato; assumir a interinidade por somente 60 dias, prazo em que deverá convocar novas eleições presidenciais; convocar sessão especial do Congresso (Câmara e Senado) para escolher outro presidente, que deverá ser um governador ou parlamentar.Até ontem à noite, conforme as fontes peronistas consultadas pela Agência Estado, a alternativa com maior chances de ser adotada seria a segunda (interinidade por 60 dias). Puerta seria a solução natural. Porém, setores do PJ defendem que o presidente seja o senador Eduardo Duhalde, que concorreu às últimas eleições presidenciais com Fernando de la Rúa. Duhalde foi o político mais votado nas eleições de outubro passado e foi um dos políticos que defenderam abertamente o fim da conversibilidade, tendo sido sondado por De la Rúa ultimamente para fazer parte de um governo de coalizão. Se os políticos optarem por Duhalde, o Congresso poderá se reunir em assembléia para eleger o novo presidente.Leia o especial

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