AFP PHOTO / AFPTV
AFP PHOTO / AFPTV

Putin abrirá 'cidade fechada' onde se fabricou o novichok

Rússia tem cerca de 40 cidades fechadas; estatuto dessas localidades, cuja localização era secreta durante o período soviético, impõe restrições de acesso, deslocamento e residência

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2018 | 14h55

MOSCOU - A cidade fechada de Chijany, onde os cientistas russos afirmaram ter desenvolvido o novichok, a substância que segundo Londres foi usada para envenenar o ex-espião Serguei Skripal, será aberta a partir de janeiro de 2019, segundo decreto do Kremlin.

No total, existem cerca de 40 cidades fechadas na Rússia. O estatuto dessas localidades, cuja localização era secreta durante o período soviético, impõe restrições de acesso, deslocamento e residência.

+ Acusações contra Rússia sobre casos de envenenamento são 'infundadas', diz Putin

Obviamente, os estrangeiros não podem penetrar nesses locais. E os cidadãos russos só podem acessar provando laços de parentesco com um morador da cidade, que deve, por sua vez, obter uma autorização por escrito de sua administração.

Status 

"Vladimir Putin assinou na terça-feira um decreto que suprime o status de entidade administrativa fechada para a nossa cidade", localizada perto do Volga, a 750 km a de Moscou, informou nesta quarta-feira à France-Presse Yulia Erchova, porta-voz da administração local.

"Nossa fábrica, um ramo do Instituto de Pesquisa do Estado para a Química e Tecnologias Orgânicas com sede em Moscou, continua em funcionamento e não sabemos o que acontecerá após a abertura de Chijany", disse a porta-voz, recusando-se a especificar o que o centro produz.

Publicado no site oficial pravo.gov.ru, o decreto presidencial dá seis meses para a administração local preparar a abertura de Chijany, onde vivem 5,5 mil pessoas.

Chijany veio à tona quando dois cientistas russos afirmaram ter trabalhado na cidade no programa novichok nos anos 70 e 80.

Segundo Londres, foi esse agente neurotóxico que causou o envenenamento do ex-espião Serguei Skripal e sua filha Yulia no sul da Inglaterra.

No início de julho, um casal britânico - Charlie Rowley, de 45 anos, e Dawn Sturgess, de 44 - foi envenenado a poucos quilômetros do local onde o Skripal foi encontrado inconsciente. A Dawn morreu este mês e o Rowley continua internado. / AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.