Putin aceita nomeação para concorrer à presidência

Muitos russos desaprovam a iniciativa, temendo que o líder fique mais 12 anos no poder

AE, Agência Estado

27 de novembro de 2011 | 11h27

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, aceitou neste domingo (27) a nomeação do partido governista Rússia Unida para concorrer à presidência nas eleições de março do próximo ano e retomar um cargo que ele exerceu entre 2000 e 2008.

"Sou grato ao presidente Dmitry Anatolyevich Medvedev e ao congresso do Rússia Unida por me nomearem e pedirem que eu concorra para o cargo de presidente da Federação Rússia. Naturalmente, aceito essa oferta, obrigado", disse Putin numa convenção do partido, em Moscou. Ele já havia anunciado a intenção de se candidatar ao cargo mais alto da Rússia em setembro.

O líder russo aproveitou para advertir o Ocidente a não interferir nas eleições do seu país. "Nossos parceiros estrangeiros precisam entender isto: a Rússia é um país democrático, um parceiro confiável e previsível. É um parceiro com o qual eles podem fazer acordos, mas não impor qualquer coisa vinda de fora", Putin disse em discurso.

A convenção, transmitida ao vivo pela TV, teve como objetivo aumentar o apoio a Putin e seu partido há uma semana das eleições para o Parlamento.

O partido Rússia Unida vem sendo visto cada vez mais como representante dos interesses de uma burocracia corrupta. Como consequência, seus índices de aprovação junto ao público despenecaram nos últimos meses. O partido ainda deve ganhar a eleição de 4 de dezembro, mas perdendo a maioria de 2/3 que possibilitou a realização de mudanças na constituição do país.

A decisão de Putin de ocupar o cargo do atual presidente Dmitry Medevedev também não pegou bem com a opinião pública. Muitos russos veem com apreensão as tendências autoritárias de Putin e temem que ele permaneça no poder por mais 12 anos, se tornando o líder que mais tempo ficou no poder desde a era comunista.

Em seu discurso na convenção, Putin prometeu estabilidade política e econômica para a construção de uma "Rússia forte, rica e próspera." Ele também defendeu maiores gastos na área militar. "Nos próximos cinco a dez anos temos que elevar nossas Forças Armadas a um novo nível de qualidade. Isso, é claro, demandará grandes gastos... mas precisamos fazer isso se quisermos defender a dignidade de nosso país."

Com informações da Dow Jones e AP.

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