EFE/ Mauri Ratilainen
EFE/ Mauri Ratilainen

Diante de Putin, Trump nega ação da Rússia em sua eleição e critica FBI

Na Finlândia, presidentes dos EUA e da Rússia garantem que Moscou não contribuiu para chegada de magnata à Casa Branca em 2016

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2018 | 13h37
Atualizado 16 Julho 2018 | 20h45

Depois de cinco dias disparando críticas contra seus aliados na Europa Ocidental, aos quais chamou de “inimigos”, o presidente dos EUA, Donald Trump, encerrou sua turnê europeia em alta sintonia com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

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Ao término de um encontro bilateral realizado na Finlândia, em meio a protestos nas ruas, os dois líderes negaram que tenha havido manipulação por parte de Moscou nas eleições americanas de 2016, que levaram o republicano à Casa Branca. Trump afirmou ainda confiar mais no chefe do Kremlin do que nas investigações em curso do FBI. 

 

Trump e Putin abriram a entrevista coletiva falando do assunto mais pulsante da agenda bilateral: a votação na qual a candidata democrata, Hillary Clinton, acabou sabotada por hackers.

Na defensiva, o russo abriu a conferência desmentido que tenha havido uma influência de seu país no resultado das eleições americanas. “A Rússia nunca interferiu e não planeja interferir em assuntos de política doméstica dos EUA, incluindo eleições”, frisou o russo.

Segundo Putin, seu governo está pronto a permitir que os EUA interroguem espiões russos, desde que Moscou possa fazer o mesmo com americanos. “Se algum material surgir (sobre as eleições), estaremos prontos a discuti-lo juntos.”

O americano também defendeu sua vitória nas eleições de 2016 afirmando que “é uma vergonha que possa haver uma mínima nuvem sobre isso”. Então Trump colocou em dúvida os serviços de inteligência americanos, dizendo acreditar mais na palavra de seu interlocutor do que nos informes do FBI.

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“Eles dizem que pensam que foi a Rússia. Tenho o presidente Putin ao meu lado, e ele acabou de dizer que não foi a Rússia”, ponderou o americano. “Eu nunca conseguiria encontrar uma razão para isso. Tenho grande confiança no meu pessoal de inteligência, mas quer dizer que o presidente Putin foi extremamente forte e poderoso em sua negativa hoje.”

Trump aproveitou a oportunidade para voltar a criticar a imprensa americana e a oposição democrata, que considera grupos hostis a seu governo.

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O americano também argumentou que a condenação de 12 membros dos serviços secretos russos tem um viés político perigoso, pois, segundo ele, ajuda na deterioração das imagens mútuas entre os dois países.

“Elas (as relações bilaterais) nunca foram piores”, argumentou, lamentando os “anos de estupidez americanos”. “Até durante as tensões da Guerra Fria, quando o mundo parecia muito diferente de hoje, Rússia e os EUA foram capazes de manter um diálogo forte”, disse.

Diálogo. A partir de então, Trump e Putin enumeraram as razões pelas quais os dois países têm de estabelecer um “diálogo direto, aberto e profundamente produtivo”. Trump reiterou seu desejo de construir uma “relação extraordinária” com a Rússia e ambos os presidentes combinaram que trabalharão em colaboração profunda em temas como a luta contra o terrorismo, o controle de armas nucleares e a situação da Crimeia e da Síria, dois conflitos nos quais Washington e Moscou estão em campos opostos.

O encontro foi marcado por amabilidades, como quando Trump elogiou a organização da Copa do Mundo da Rússia e levou como presente um exemplar da bola oficial do evento. Já Putin elogiou um diálogo “muito bem-sucedido e muito útil”.

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