Putin acena com veto à guerra no Iraque

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reafirmou hoje na televisão francesa sua esperança de que a guerra entre os Estados Unidos e o Iraque possa ser evitada, pela via da negociação. Ele repetiu que seria um erro grave se os EUA decidissem por uma ação unilateral contra o Iraque.Putin também aventou, em entrevista ao canal TF1, a possibilidade de "recorrer ao direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas" para impedir uma ação militar no Oriente Médio. Indagado sobre se, caso a França utilizasse seu direito de veto nessas circunstâncias, a Rússia a acompanharia, o presidente explicou: "Se hoje fosse feita uma proposição que sentíssemos que poderia levar ao uso não-razoável da força, atuaríamos ao lado da França, ou sozinhos." Putin lembrou ter sido diretor do serviço secreto russo antes de optar pela carreira política. Por conhecer bem e por dentro os serviços especiais de seu país, sabe da boa cooperação existente atualmente entre os diversos serviços de outros países, entre eles os dos Estados Unidos, e a cooperação entre a Al-Qaeda e o governo iraquiano jamais foi mencionada nas informações trocadas entre os serviços secretos norte-americanos e russos, deixando no ar algumas dúvidas sobre a credibilidade de certas informações reveladas recentemente pelos EUA. De qualquer forma, ele pretende processar as informações recebidas pelos serviços secretos antes de se pronunciar definitivamente.Para Putin, os países europeus, com sua posição antiguerra, não só defendem seu ponto de vista, mas também "o direito de ter seu próprio ponto de vista".O presidente da Rússia explicou que seu objetivo é o da construção de um mundo multipolar, razão pela qual "todos os atores devem procurar respeitar as regras do direito internacional". Antes, Putin havia lembrado sua amizade com o presidente dos EUA, George W. Bush, definido-o como um bom amigo e fez questão de dizer que Moscou e Washington são hoje grandes parceiros nos planos político e econômico.

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