Putin acusa EUA de incitarem protestos

De acordo com premiê da Rússia, Hillary Clinton estimula o caos no país ao questionar a legitimidade das eleições parlamentares de domingo

MOSCOU , O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2011 | 03h03

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, acusou ontem Washington de estimular os protestos contra o governo russo. Segundo o premiê, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, incentivou os opositores ao denunciar irregularidades na eleição parlamentar de domingo. "Eles ouviram o sinal do Departamento de Estado americano e começaram a agir", disse Putin, em discurso na TV.

Por três dias consecutivos - desde segunda-feira -, manifestantes foram às ruas de Moscou e de São Petersburgo para protestar contra supostas irregularidades eleitorais e contra manipulações de resultados. O partido de Putin, o Rússia Unida, obteve 238 das 450 cadeiras da Duma (Parlamento).

Apesar de manter a maioria, o premiê perdeu 77 cadeiras com relação a 2007. A polícia reprimiu os protestos e entrou em choque com os manifestantes, detendo aproximadamente mil pessoas. Em Moscou, cerca de 50 mil policiais e militares foram enviados às ruas para garantir a segurança.

Ontem, Putin sugeriu que as medidas podem ser reforçadas. "Precisamos reforçar a lei e punir aqueles que realizam a tarefa de um governo estrangeiro, de influenciar no processo político interno da Rússia", disse o premiê. "As pessoas têm o direito de expressar sua opinião, desde que ajam dentro da lei."

De acordo com Putin, "muito dinheiro" foi usado para financiar campanhas eleitorais na Rússia. "Isso nos faz parar para pensar quanto dinheiro investido do exterior é usado para interferir na atividade política interna do país", afirmou.

Na segunda-feira, Hillary citou preocupações sobre irregularidades na votação e, no dia seguinte, voltou a criticar as eleições russas, dizendo que a população "merece uma investigação completa sobre fraudes e manipulações eleitorais".

Após as duras críticas feitas ontem por Putin, Hillary voltou a questionar a transparência do processo eleitoral da Rússia e disse que apoia as exigências dos manifestantes russos.

"Expressamos nossas preocupações, que consideramos fundamentadas, sobre as eleições. E apoiamos os direitos e as aspirações do povo russo de obter progressos e de esperar um futuro melhor", disse Hillary. A chefe da diplomacia americana, no entanto, preferiu não comentar de maneira direta as declarações de Putin, que acusou os americanos de estimularem os protestos no país.

De acordo com a secretária de Estado, as eleições russas "não foram livres nem justas". As declarações de Hillary também foram criticadas pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, e pelo chanceler Sergei Lavrov, que considerou o comentário da chefe da diplomacia american de "inaceitável".

Denúncias. Observadores, jornalistas independentes e grupos opositores acusam o governo de fraudar as eleições de domingo. Entre as denúncias estão compra de votos, urnas encontradas com cédulas preenchidas antes do início da votação e eleitores que votaram mais de uma vez.

Estudantes disseram ter sido pressionados para votar pelo governo. Partidos de oposição também disseram que foram impedidos de acompanhar a apuração dos votos em várias seções eleitorais. / REUTERS e AP

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