Putin acusa EUA de minar a estabilidade global

Em Sochi, o líder alertou que o mundo pode enfrentar novas guerras se Washington falhar em respeitar os interesses de outros países

O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 14h29

SOCHI, RÚSSIA - Os Estados Unidos estão desestabilizando a ordem global ao tentar impor sua vontade, declarou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta sexta-feira, 24. Em discurso a especialistas em política em um resort de Sochi, no Mar Negro, o líder alertou que o mundo pode enfrentar novas guerras se Washington falhar em respeitar os interesses de outros países.

"A probabilidade de uma série de conflitos agudos com envolvimento indireto e até direto de grandes potências aumentou significativamente", afirmou Putin. "A Ucrânia é um exemplo de tais conflitos que influenciam o equilíbrio global de forças e, creio eu, não será o último".

Durante o pronunciamento, Putin citou as situações no Iraque, Líbia e Síria como exemplos de políticas norte-americanas que fracassaram e levaram ao caos. Visivelmente emocionado, ele disse que os norte-americanos e seus aliados estão "lutando contra os resultados de suas próprias políticas" nos países. "Eles estão usando seu poder para remover riscos que foram criados por eles mesmos, e estão pagando um preço crescente", disse.

Sobre a Ucrânia, o presidente russo acusou os ocidentais de ignorarem os interesses legítimos de seu país sobre o vizinho e de apoiar a destituição do ex-presidente ucraniano, de tendência mais próxima a Moscou. Putin acusou ainda os Estados Unidos de tentarem criar a imagem de que a Rússia é um perigo para o resto do mundo, forçando seus aliados a imporem sanções sobre Moscou. Segundo ele, essas medidas têm por objetivo levar a Rússia ao isolamento, mas que não irão ser bem-sucedidas.

Putin argumentou também que os interesses da Rússia e de outras nações precisam ser considerados para estabilizar a situação global. "A Rússia não está demandando um lugar especial, exclusivo, no mundo", afirmou. "Só queremos ter nossos interesses levados em conta, e nossa posição respeitadas". / AP

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