Putin admite irregularidades em eleição e promete investigação

Em distrito da Chechênia, 107% dos eleitores foram às urnas e o candidato obteve 1.482 dos 1.483 votos contados

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2012 | 03h08

O presidente eleito da Rússia, Vladimir Putin, admitiu ontem que houve irregularidades na votação de domingo e prometeu investigá-las. O líder russo dissera anteriormente que sua vitória foi a "mais limpa e justa da história". Na Chechênia, um distrito eleitoral teve 107% de participação. Ali, apenas um eleitor não votou em Putin.

"Houve irregularidades. É preciso denunciá-las e investigá-las para que tudo fique claro", disse Putin, que foi reeleito em primeiro turno com 63,3% dos votos. "Confio na supervisão máxima da situação."

Em reunião com fiscais eleitorais em Moscou, o presidente eleito afirmou ainda que a negativa do candidato comunista Gennadi Zyuganov em reconhecer a derrota faz parte da "luta política". Na segunda-feira, cerca de 20 mil pessoas tomaram o centro de Moscou para protestar contra o resultado da eleição. Ao menos 500 foram presas na capital. Outro 300 foram detidos em São Petersburgo. O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, defendeu as detenções. "O protesto da oposição teve duas etapas: a legal e a ilegal. Em ambas, a polícia mostrou um alto grau de profissionalismo e legitimidade", disse. Líderes da oposição pretendem fazer uma nova manifestação, no sábado. Os presos já foram libertados.

Fraudes. Em um distrito eleitoral na Chechênia, as denúncias de irregularidades ficaram mais evidentes. Na sessão 451 de Grozni, a capital chechena, Putin teve 1.482 votos. Zyuganov, apenas 1. Além disso, o comparecimento de eleitores no distrito foi de 107%. De 1.389 eleitores registrados, votaram 1.483.

Apenas 6% dos eleitores russos votam na Chechênia, província separatista do Cáucaso duramente reprimida por Putin em seus dois primeiros mandatos. / AP, EFE E NYT

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