Putin admite que pode voltar em 2012

Presidente russo, porém, nega que tenha estratégia de enfraquecer sucessor para facilitar seu retorno ao Kremlin

Ap, Afp e Reuters, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2015 | 00h00

O presidente russo, Vladimir Putin, indicou ontem que pode voltar ao Kremlin em 2012. De acordo com o analista americano Ariel Cohen, Putin, durante uma conversa privada, não excluiu a possibilidade de voltar a disputar a presidência após o fim do mandato de seu sucessor. "Ele (Putin) disse que se importa com a estabilidade do país e indicou que não pretende enfraquecer o próximo presidente para assegurar seu retorno", disse Cohen.O presidente também declarou ontem à emissora de TV estatal Rossiya que a corrida presidencial de 2008 está totalmente aberta a outros candidatos - entre eles, o premiê indicado quarta-feira, Viktor Zubkov. "Há pelo menos cinco candidatos que podem apresentar-se nas eleições", afirmou Putin."Zubkov, assim como qualquer outro cidadão da Rússia, pode participar das eleições presidenciais", disse. Ontem, o Parlamento confirmou Zubkov como premiê com 381 votos a favor e 47 contra.A nomeação de Zubkov, tecnocrata praticamente desconhecido, por Putin como primeiro-ministro surpreendeu o país. A decisão confundiu previsões de analistas, que acreditavam que ele escolheria um dos dois favoritos na corrida presidencial do ano que vem para o cargo de premiê: os vice-primeiros-ministros Serguei Ivanov e Dmitri Medvedev.A escolha por Zubkov, segundo analistas, poderia fazer parte de uma estratégia de Putin para voltar ao poder. "Zubkov encaixa-se perfeitamente no perfil do sucessor", afirmou o chefe de estratégia da corretora russa Uralsib, Chris Weafer. "Ele serviria melhor do que os outros para ajudar Putin a voltar ao poder antes do tempo previsto." Pela Constituição russa, após dois períodos consecutivos, Putin só poderá concorrer à presidência em 2012 - ou antes, caso seu sucessor renuncie antes do fim do mandato.DESTITUIÇÃOOntem, Putin destituiu o comandante da Marinha, Vladimir Masorin que, em agosto, irritou o Kremlin ao aceitar um prêmio dos EUA sem antes pedir permissão. Foi a quarta destituição de militares de alta patente desde que Putin nomeou, em fevereiro, Anatoli Sedyukov ministro da Defesa.AMEAÇA BIOLÓGICAAgentes de segurança estão investigando o cientista russo Oleg Mediannikov que, supostamente, tentou contrabandear para fora da Rússia material que pode ser utilizado na fabricação de armas biológicas. Acadêmicos e cientistas têm sido alvo do Serviço Federal de Segurança e, segundo a agência, usaram inadequadamente informações secretas, revelaram segredos de Estado e fizeram espionagem.Ainda na sexta-feira, a Finlândia afirmou que teve seu espaço aéreo invadido por aviões militares russos. Moscou disse que instalará uma comissão para investigar a queixa.

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