Ria Novosti/Reuters
Ria Novosti/Reuters

Putin admite ter ordenado anexação da Crimeia antes de referendo

Em documentário, presidente russo descreve reuniões e processo de anexação da região ucraniana no ano passado 

O Estado de S. Paulo

09 Março 2015 | 10h45

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, admitiu, em um documentário, ter ordenado a anexação da Crimeia horas depois de o Parlamento ucraniano depor o então presidente do país, Viktor Yanukovich, e uma semana antes das autoridades regionais da península se rebelarem contra o governo central ucraniano e convocarem o referendo independentista.

A televisão estatal russa Rossiya-1 adiantou domingo à noite algumas cenas do documentário que será exibido nos próximos dias, no qual o chefe do Kremlin contará os detalhes da anexação da Crimeia e da operação especial para tirar Yanukovich de Donetsk, sua cidade natal, para onde fugiu na madrugada de 22 de fevereiro.

"Tínhamos colocado metralhadoras de grande calibre para não ter que falar. Estávamos preparados para tirá-lo de Donetsk, por terra, mar ou ar. Na noite de 22 para 23 de fevereiro, quando acabamos, perto das 7 da manhã, disse aos colegas que devíamos começar a trabalhar em recuperar a Crimeia para a Rússia", reconheceu Putin.

O trailer do documentário começa com música dramática e imagens deslumbrantes da costa a Crimeia. O canal de televisão Rossiya-1 não informou quando o documentário vai ao ar.

O presidente já havia reconhecido a participação das tropas russas na anexação da Crimeia, mas sempre afirmou que essa intervenção havia sido iniciada para garantir a realização do referendo sobre a reunificação, convocado pelas autoridades rebeldes pró-russas da península em 1.º de março do ano passado.

"Realmente usamos nossas Forças Armadas, mas só para dar às pessoas que vivem nesse território a possibilidade de expressar sua opinião sobre seu futuro", disse Putin na cidade de Yalta, na península, em agosto do ano passado.

O presidente russo sempre defendeu que a Crimeia é um território historicamente russo que foi injustamente integrado à Ucrânia em 1954, quando ambos faziam parte da União Soviética.

Em 16 de março de 2014, há praticamente um ano, a Crimeia realizou um referendo, não reconhecido pela Ucrânia nem pela comunidade internacional, no qual quase 97% dos eleitores disseram sim à reunificação com a Rússia.

Só dois dias depois, em 18 de março, a Rússia consumou a anexação do território em um ato solene no Kremlin, no qual Putin e os líderes da península assinaram o tratado bilateral que transformou a república da Crimeia e a cidade de Sebastopol em dois novos membros da Federação Russa. /AP e EFE

Mais conteúdo sobre:
Rússia Crimeia Vladimir Putin Ucrânia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.