Putin afirma que somente ele pode guiar a Rússia

Premiê enfatiza a ameaça da instabilidade, critica os países que 'tentam exportar a democracia' e ignora os protestos

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2012 | 03h01

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou que só concorrerá à presidência do país porque acredita ser o único capaz de "guiar" a Rússia entre os perigos da estagnação e da instabilidade. Em um artigo publicado em sua página na internet na segunda-feira, Putin enfatizou a ameaça da instabilidade, mas ignorou a questão da corrupção.

O premiê também aproveitou o texto para alfinetar o governo americano. Sem citar nominalmente os EUA, Putin criticou "países que tentam exportar a democracia", afirmando que os resultados dessas estratégias são quase sempre negativos. Em seu artigo, Putin rejeitou a possibilidade de rápidas mudanças políticas, colocando-se num abrangente contexto histórico como a pessoa que conduzirá a Rússia através de uma "zona de turbulência" que começa agora.

"Um problema recorrente na história russa é o desejo de uma parte de suas elites de dar grandes saltos, de abraçar a revolução em vez da evolução", escreveu Putin. "Não apenas a experiência russa, mas a experiência no mundo todo mostra os resultados fatais dos saltos históricos: pressa e subversão, sem criação".

No texto, Putin mostrou-se cético em relação aos protestos contra ele realizados em dezembro e expressou irritação pela falta de um programa claro dos manifestantes. "O que deveríamos negociar? Como o nosso poder deverá se estruturar? Se deverá ser dado a 'pessoas melhores'? E depois, o que? O que faremos?"

A tentativa de estabelecer um diálogo entre o Kremlin e os organizadores dos protestos fracassou na segunda-feira, em Moscou. Grandes manifestações estão marcadas para 4 de fevereiro e 11 de março. O ex-ministro das Finanças, Aleksei Kudrin, disse após seu terceiro encontro com líderes da oposição que os dois lados continuam intransigentes.

Vladimir Ryzhkov, veterano líder da oposição que estava presente na reunião, disse acreditar que Kudrin fez esforços sinceros para convencer Putin a aproximar-se dos organizadores dos protestos, mas que Putin recusou. "Para nós é melhor, pois as pessoas ficarão furiosas com Putin e será mais fácil conseguir mais adesões" para a manifestação do dia 4, disse Ryzhkov. / NYT e WASHINGTON POST

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