AFP PHOTO / OLGA MALTSEVA
AFP PHOTO / OLGA MALTSEVA

Putin expulsa 755 diplomatas americanos

Medida é parte da decisão de reduzir o número de funcionários dos EUA na Rússia após a aprovação de novas sanções contra Moscou

O Estado de S.Paulo

30 Julho 2017 | 15h33
Atualizado 31 Julho 2017 | 07h31

MOSCOU - O presidente Vladimir Putin anunciou neste domingo, 30, que 755 diplomatas americanos devem deixar o território russo, como parte da decisão de reduzir para 455 o número de funcionários dos EUA na Rússia.

“Mais de um milhão de pessoas trabalhavam e continuam a trabalhar” nas representações diplomáticas americanas na Rússia, declarou Putin em entrevista ao Rossia 24, canal público de TV.

Segundo ele, “755 pessoas deverão interromper suas atividades na Rússia”. “Esperamos tempo suficiente, com a esperança de que a situação pudesse melhorar”, revelou Putin durante a entrevista. “Tudo indica, porém, que, caso a situação mude, isso não vai acontecer rapidamente.”

Na quinta-feira, o Senado americano aprovou uma lei que reforça as sanções contra a Rússia em razão das denúncias de ingerência na eleição presidencial de 2016 e da anexação da Crimeia em 2014.

Em dezembro, o então presidente Barack Obama ordenou a expulsão de 35 diplomatas russos. Na época, Trump declarou que gostaria de manter uma boa relação com o governo russo. A resposta de Moscou significa que os EUA terão o mesmo número de diplomatas que a Rússia em território americano. A ordem de Putin, que entra em vigor a partir de terça-feira, também determina o fechamento de dois edifícios em Moscou, uma residência de verão e um armazém, ambos pertencentes à embaixada americana.

Washington condenou a "lamentável" decisão de Moscou de reduzir o número de diplomatas americanos nesse país e disse que avalia as opções de resposta disponíveis, afirmou um funcionário do Departamento de Estado. "Estamos avaliando o impacto dessa decisão e como responderemos", completou.

De acordo com Putin, a Rússia “ainda tem coisas a declarar e pode restringir ainda mais os setores de atividades comuns”. Se as novas sanções, que devem ser assinadas por Trump, afetarem Moscou “podemos pensar em outros tipos de respostas, mas espero que não tenhamos de fazer isso”, completou. “No momento, sou contrário” a mais medidas de represália, ressaltou o líder russo.

Retaliação

Um diplomata russo de alto escalão criticou a aprovação de sanções americanas contra a Rússia e alertou para uma possível retaliação de Moscou. 

Em entrevista ao programa This Week, da ABC, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Ryabkov, referiu-se a um projeto de lei aprovado na semana passada pelo Congresso dos EUA para sancionar a Rússia como “estranho e inaceitável”. “Se os EUA decidirem avançar, responderemos. Vamos responder nas mesmas condições. Iremos retaliar”, disse o diplomata. 

Ryabkov confirmou que o confisco das propriedades era uma resposta ao projeto de lei, mas se recusou a dizer quais outras medidas a Rússia estaria disposta a tomar caso os EUA continuem a pressionar o país.

“Seria ridículo da minha parte especular sobre o que pode ou não acontecer. (...) Mas posso garantir que temos diferentes opções na mesa.”

A relação entre a Rússia e os EUA se tornou cada vez mais tensa após agências de inteligência americanas concluírem que houve interferência do Kremlin para prejudicar a então candidata democrata Hillary Clinton e ajudar o republicano Donald Trump a vencer as eleições do ano passado. A informação é negada pela Rússia. / AFP e REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.